Ex-ministro de Dilma liderou articulação para levar Banco Master ao Minha Casa, Minha Vida

Ricardo Leyser defendeu ao governo Lula a participação direta de bancos privados no programa habitacional.

Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 07:53

Ex-ministro de Dilma liderou articulação para levar Banco Master ao Minha Casa, Minha Vida
Ex-ministro de Dilma liderou articulação para levar Banco Master ao Minha Casa, Minha Vida Crédito: Roberto Castro/ME

Um projeto apresentado ao governo federal em 2024 colocou no centro do debate a ampliação do papel de instituições financeiras privadas no programa Minha Casa, Minha Vida. À época, o articulador da proposta foi Ricardo Leyser Gonçalves, ex-ministro do Esporte no governo Dilma Rousseff (PT), que buscou viabilizar a entrada do Banco Master na política habitacional sem qualquer subordinação administrativa ou financeira à Caixa Econômica Federal.

A iniciativa foi formalizada em um ofício encaminhado ao Ministério das Cidades, então comandado por Jader Barbalho Filho, no qual Leyser atuava como diretor da VBG Engenharia e Empreendimentos. No documento, ele relatou a construção de um modelo operacional desenvolvido em parceria com o Banco Master, além do Banco Digimais e do Banco Genial, com foco na chamada modalidade “Oferta Pública” do programa.

Segundo Leyser, a proposta foi discutida em encontros realizados em 23 estados, reunindo mais de 1,2 mil gestores municipais. O objetivo central era permitir que bancos privados recebessem recursos da União para contratar construtoras e executar obras habitacionais em municípios com até 80 mil habitantes, criando uma frente paralela de execução do programa.

No material enviado ao governo, o ex-ministro sustentou que a natureza privada dessas instituições permitiria maior agilidade e flexibilidade operacional. Ele argumentou que a vinculação direta à Caixa inviabilizaria a participação dos bancos privados e comprometeria o modelo previsto em lei. Para Leyser, a legislação que recriou o Minha Casa, Minha Vida não estabelecia qualquer dependência obrigatória das instituições privadas em relação à estatal.

A proposta defendia que os bancos assumissem integralmente os riscos da contratação das construtoras, sem a necessidade de intermediação da Caixa na análise e liberação de medições das obras. Leyser também afirmou que as instituições envolvidas eram financeiramente sólidas e capacitadas para responder ao governo federal pelos recursos recebidos.

Apesar das articulações e da pressão por reuniões, segundo relatos de fontes envolvidas nas negociações, o plano não avançou. A modalidade citada nunca chegou a ser regulamentada nem recebeu dotação orçamentária, o que impediu sua implementação prática.

Em nota, o Ministério das Cidades confirmou que representantes da pasta receberam Ricardo Leyser para tratar da proposta relacionada ao Minha Casa, Minha Vida – Oferta Pública Sub-80, mas reforçou que o modelo não saiu do papel. O tema ganhou novos contornos posteriormente, quando, em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, após a identificação de fraudes bilionárias.

Com isso, a tentativa de ampliar a atuação de bancos privados no programa habitacional federal acabou arquivada, sem efeitos práticos na política pública.