Ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar é transferido para a Penitenciária Federal de Brasília

Após sofrer nova ordem de prisão na última quinta feira (2), ex-deputado fluminense foi levado para o presídio de segurança máxima neste sábado (4).

Publicado em 4 de julho de 2026 às 18:03

Ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar é transferido para a Penitenciária Federal de Brasília
Ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar é transferido para a Penitenciária Federal de Brasília Crédito: Reprodução

O sistema penitenciário de segurança máxima do Distrito Federal recebeu um novo detento de alta periculosidade política e criminal. O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, foi transferido na manhã deste sábado (4) para a Penitenciária Federal de Brasília. A movimentação ocorre apenas dois dias após o político fluminense ser alvo de um novo mandado de prisão preventiva expedido pela Polícia Federal. Bacellar já se encontrava atrás das grades desde o fim de março por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob a acusação de blindar e repassar dados sigilosos para a cúpula da facção criminosa Comando Vermelho (CV).

A transferência do ex-parlamentar para a capital federal foi motivada pelos desdobramentos de uma nova etapa da Operação Unha e Carne, deflagrada na quinta feira (2). Esta fase da ação policial foca no sufocamento financeiro das organizações criminosas, investigando um esquema bilionário de lavagem de dinheiro que beneficia diretamente a chamada Máfia do Cigarro. O avanço das investigações aponta que o grupo político utilizava a estrutura pública para obstruir o trabalho da Justiça e proteger os interesses financeiros do tráfico e do contrabando em solo fluminense.

No complexo federal em Brasília, Bacellar vai compartilhar o endereço com velhos conhecidos das páginas policiais do Rio de Janeiro. Na mesma unidade prisional estão o ex-deputado Thiago Raimundo dos Santos Silva, o "TH Joias", e o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o "Adilsinho". Este último, apontado como um dos chefes da máfia dos cigarros e foragido por 20 anos, havia sido capturado pela PF em fevereiro em uma mansão em Cabo Frio, na Região dos Lagos. Apesar de estarem no mesmo presídio, o plano de segurança máxima prevê que o trio permaneça em alas totalmente isoladas, sem qualquer tipo de contato visual ou físico.

A nova fase da Operação Unha e Carne também atingiu outras figuras conhecidas do cenário carioca. Além do novo mandado contra Adilsinho, a operação mirou o pastor Márcio Poncio, que acabou sendo preso pelos agentes federais. Com as transferências e as novas capturas, a Polícia Federal e o STF buscam desarticular de forma definitiva a rede de influência que unia políticos, líderes religiosos, bicheiros e traficantes de drogas na exploração de atividades ilícitas e no vazamento de informações de inteligência policial.