Publicado em 4 de junho de 2026 às 08:46
O empresário Augusto Lima, conhecido nos círculos corporativos como “Guga”, transferiu a construção e a venda de pelo menos dois prédios residenciais de luxo na capital baiana para a OR, braço imobiliário do grupo Novonor, a antiga Odebrecht. A troca de comando nos canteiros de obras aconteceu em outubro de 2025, justamente no período em que os negócios do empresário começavam a ruir publicamente.>
A entrega dos projetos aconteceu em um momento de extrema asfixia para o investidor. Naquela época, o Banco Master, do qual Lima foi sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, agonizava após o Banco Central vetar sua venda ao BRB, caminhando a passos largos para a liquidação. Ao mesmo tempo, o Banco Pleno, instituição que o empresário controlava, também sofria os abalos que culminaram em seu fechamento decretado pelo Banco Central em fevereiro. >
De acordo com fontes do setor, o repasse dos prédios foi uma tentativa desesperada de Lima para salvar seu patrimônio e acelerar negócios diante da crise iminente.>
Os empreendimentos envolvidos na transação ficam localizados na Barra, uma das áreas litorâneas com o metro quadrado mais valorizado da Bahia. O primeiro deles é o Amarama Barra, um condomínio de alto padrão de frente para o Oceano Atlântico, focado em moradores ricos e aluguéis de temporada, cujo projeto de 203 unidades tem preços que chegam a R$ 1,35 milhão e estrutura com piscinas privativas e hidromassagem. O imóvel pertence à Gavazza Empreendimentos, que tem a holding de Lima, a Terra Firme Realty S.A., como sócia. O segundo ativo é o One, outro residencial de luxo situado no mesmo bairro, com apartamentos avaliados em até R$ 1,2 milhão e que conta com estrutura moderna de coworking, pet place e espaço gourmet, sendo de propriedade da Morro da Barra SPE, empresa controlada integralmente pela holding Terra Firme.>
Pouco tempo após costurar esse acordo de bastidores, a situação de Augusto Lima se agravou no campo jurídico, sendo ele preso na primeira fase da Operação Compliance Zero, passando 11 dias em regime fechado em novembro de 2025. Atualmente, o empresário responde ao processo em liberdade, mas é monitorado por meio de tornozeleira eletrônica. >
Lima, que é casado com a ex-ministra Flávia Péres, do governo Bolsonaro, ganhou projeção no Nordeste após vencer uma licitação para gerenciar o CredCesta, o cartão de benefícios dos servidores públicos da Bahia, durante a gestão do ex-governo de Rui Costa.>
Procurada para explicar as transferências dos ativos e os rumos das empresas, a equipe de defesa de Augusto Lima optou por não se manifestar sobre o caso. Em contrapartida, a construtora OR enviou uma nota oficial confirmando que assumiu os trabalhos no final de 2025, mas fez questão de se distanciar dos problemas fiscais e criminais do empresário, explicando que atua única e exclusivamente como prestadora de serviços de engenharia e apoio comercial nos canteiros do Amarama e do One, reforçando que as obras já estavam em andamento e que a construtora não possui nenhuma participação acionária ou sociedade com as empresas de Augusto Lima.>