Publicado em 11 de agosto de 2026 às 13:36
Nesta terça-feira (11), uma operação do Ministério Público e da Polícia Federal prendeu três vereadores de Sobral, no Ceará, e revelou uma investigação sobre um suposto esquema em que uma facção criminosa cobrava até R$ 60 mil de candidatos para permitir a realização de campanhas em determinados bairros da cidade. Batizado de Operação Omertá, o caso também apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, extorsão e uso de ameaças para interferir nas eleições de 2024 e de 2026.>
Segundo o Ministério Público, candidatos que não ocupavam mandato pagariam R$ 30 mil pelo chamado “pedágio eleitoral”. Para quem já tinha mandato, o valor chegaria a R$ 60 mil. A investigação aponta ainda que o grupo buscava influenciar a escolha dos eleitores por meio de ameaças e coação.>
O inquérito começou em 2024 e reuniu depoimentos e outros elementos que, segundo as autoridades, indicam a atuação de integrantes de uma organização criminosa para interferir no processo eleitoral de Sobral.>
De acordo com o Ministério Público, a interferência teria continuado durante a preparação para as eleições de 2026. Eventos e reuniões de políticos que seriam realizados em Sobral chegaram a ser cancelados após ameaças de morte e de ataques contra pessoas e estabelecimentos envolvidos na organização.>
A investigação é conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE), pelo Ministério Público Eleitoral, por meio da 3ª Promotoria Eleitoral, e pelo Grupo Auxiliar Eleitoral (GAEL).>
A operação cumpriu 14 mandados de prisão preventiva, incluindo os três vereadores de Sobral, além de 25 mandados de busca e apreensão e cinco medidas de afastamento cautelar de cargos públicos.>
Segundo apuração da TV Verdes Mares, os vereadores presos são Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Pode) e Mario Vicktor (União). Os três foram afastados dos cargos por 180 dias.>
As ordens judiciais foram expedidas pela 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza. Até a última atualização, os nomes dos demais alvos não haviam sido divulgados. A identidade da organização criminosa investigada também não foi informada pelas autoridades.>
Entre os alvos estão vereadores, um assessor jurídico da Câmara Municipal de Sobral, integrantes de uma facção criminosa, uma policial militar e outros agentes públicos. Segundo o Ministério Público, 20 mandados de busca e apreensão já haviam sido cumpridos.>
Uma das pessoas presas nesta terça-feira é uma policial militar que atuava no policiamento ostensivo. Segundo as autoridades, ela é casada com um homem apontado como chefe de uma organização criminosa em Sobral e que também está preso.>
A Polícia Federal informou ainda que um advogado está entre os alvos da operação. Ele é suspeito de integrar a estrutura da organização criminosa e de atuar nos núcleos responsáveis pela liderança e pela execução de ordens relacionadas à interferência no processo eleitoral.>
Durante as buscas, agentes apreenderam celulares, documentos e outros materiais que serão analisados pelos investigadores. A Justiça também determinou medidas cautelares, entre elas a proibição de contato entre investigados e testemunhas.>
Outra determinação exige que a Câmara Municipal de Sobral apresente uma relação completa dos ocupantes de cargos comissionados, funções de confiança e contratados temporários ligados à Casa.>
De acordo com o Ministério Público, os investigados podem responder, conforme a participação de cada um e caso as acusações sejam confirmadas, por crimes como integração de organização criminosa, domínio social estruturado, extorsão na modalidade de “pedágio eleitoral”, corrupção eleitoral, impedimento ou embaraço à propaganda eleitoral e lavagem de dinheiro.>
O nome da operação faz referência à Omertà, código de silêncio associado à máfia italiana. A expressão é usada para representar a regra de não colaborar com autoridades e não revelar informações sobre integrantes ou atividades criminosas.>