Fachin articula no STF e conversa com ministros sobre crise envolvendo o Banco Master,

Presidente da Corte antecipou retorno a Brasília e já falou com oito magistrados sobre desgaste interno e relação com PF e PGR

Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 11:38

Presidente da Corte antecipou retorno a Brasília e já falou com oito magistrados sobre desgaste interno e relação com PF e PGR
Presidente da Corte antecipou retorno a Brasília e já falou com oito magistrados sobre desgaste interno e relação com PF e PGR Crédito: Reprodução

Nos últimos dias, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, intensificou articulações internas para lidar com os impactos do caso Banco Master dentro da Corte e com outros órgãos do sistema de Justiça, como a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.

Mesmo durante o período de férias, Fachin vinha mantendo contato com colegas do STF, mas decidiu antecipar o retorno a Brasília diante do avanço da crise e da repercussão do caso. A avaliação é de que o episódio gerou desgaste institucional e exigiu uma atuação mais direta da presidência do tribunal.

O ponto central da tensão envolve o ministro Dias Toffoli, relator do inquérito que apura o caso Master. Ele passou a ser alvo de críticas após decisões tomadas durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, especialmente a determinação de que as provas reunidas ficassem sob a guarda da Procuradoria-Geral da República, e não da Polícia Federal. Delegados da PF manifestaram insatisfação, e o tema ganhou repercussão no meio político e jurídico.

Até o momento, Fachin já conversou com oito dos dez ministros que compõem atualmente o STF. Entre eles estão Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Nunes Marques, Cristiano Zanin, André Mendonça e Cármen Lúcia. Nas conversas, o presidente do Supremo tratou tanto do caso Master quanto do desgaste na relação da Corte com a PF e a PGR.

O único ministro com quem Fachin ainda não havia falado sobre o assunto é Flávio Dino, que está no Maranhão por compromissos pessoais. O presidente do STF tem viagem prevista ao estado para tratar do tema pessoalmente com o colega.

Além da crise envolvendo o Banco Master, Fachin também levou aos ministros a proposta de criação de um código de conduta para integrantes do STF e de outros tribunais superiores. A ideia, inspirada em modelos adotados por cortes da Alemanha, já recebeu apoio de ex-ministros como Celso de Mello e Rosa Weber, mas enfrenta resistência interna.

A discussão sobre regras de conduta e limites de atuação dos magistrados deve continuar nos próximos meses, em meio ao esforço da presidência do Supremo para reduzir tensões internas e preservar a imagem institucional da Corte.