Publicado em 12 de junho de 2026 às 16:14
Nesta sexta-feira (12), o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, afirmou que vê com preocupação a decisão da Justiça italiana que rejeitou a extradição da ex-deputada Carla Zambelli. A manifestação ocorreu após a divulgação dos fundamentos da decisão da Corte Suprema de Cassação da Itália, que apontou dúvidas sobre a imparcialidade do julgamento realizado no Brasil.>
Em nota oficial, Fachin saiu em defesa da atuação do STF e afirmou que todo o processo transcorreu em conformidade com a Constituição, respeitando o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e os compromissos internacionais assumidos pelo Estado brasileiro.>
Segundo o presidente da Corte, a condenação de Zambelli foi resultado de decisões colegiadas tomadas por unanimidade pela Primeira Turma do Supremo, com base nas provas reunidas durante a ação penal.>
A ex-deputada foi condenada a 10 anos de prisão por invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica após o entendimento de que ela participou da invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça ao lado do hacker Walter Delgatti, que também foi condenado no processo.>
Na nota, Fachin ressaltou que a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República foi aceita por unanimidade e que todas as decisões tomadas ao longo da ação foram confirmadas pelo colegiado responsável pelo julgamento.>
O ministro também destacou que o Supremo mantém uma postura de cooperação internacional em pedidos de extradição e afirmou que a Corte acompanha com preocupação a decisão da Justiça italiana relacionada ao caso.>
Após a condenação, Zambelli deixou o Brasil, passou pelos Estados Unidos e seguiu para a Itália, país do qual possui cidadania. Ela foi detida pelas autoridades italianas enquanto aguardava a análise do pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro.>
Ao justificar a decisão favorável à ex-parlamentar, magistrados italianos afirmaram ter identificado elementos que levantam dúvidas sobre a imparcialidade do julgamento. Entre os argumentos apresentados está o entendimento de que o ministro Alexandre de Moraes teria exercido funções distintas durante o processo, atuando como relator do caso e, ao mesmo tempo, sendo considerado uma das pessoas afetadas pelos documentos falsificados inseridos nos sistemas do Judiciário.>
Entre os documentos adulterados estava um suposto mandado de prisão contra Moraes e uma falsa ordem para quebra de seu sigilo bancário. Com base nesses elementos, a Corte italiana entendeu que havia questionamentos suficientes para impedir a extradição no âmbito desse processo.>
Além desse caso, Zambelli ainda responde a um segundo pedido de extradição na Itália relacionado à condenação por porte ilegal de arma de fogo e ameaça.>