Fachin é aconselhado a assumir relatoria de investigação contra Moraes

Proposta de ministros busca conter crise institucional após André Mendonça levantar sigilo de conversas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro

Publicado em 2 de setembro de 2026 às 14:04

Presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
Presidente da Corte, ministro Edson Fachin. Crédito: Divulgação/TJ SP

Uma ala de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) passou a defender que o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, avoque para si a relatoria da apuração sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A proposta de transferir o caso para a presidência do tribunal surge como uma tentativa de reduzir a temperatura política dentro e fora da instituição, em meio àquela que é considerada uma das piores crises institucionais já enfrentadas pelo STF.

A crise interna atingiu proporções graves depois que o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo, solicitou a abertura de uma investigação contra Moraes e retirou o sigilo das mensagens trocadas entre o colega e o banqueiro. A decisão provocou forte reação nos bastidores da Corte. Aliados de Moraes acusam Mendonça de ter atropelado o rito processual e de atuar com objetivos eleitorais, ressaltando que o relator foi indicado ao tribunal pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro.

Em discurso realizado na manhã de quarta-feira (2), o ministro Edson Fachin abordou o tema publicamente. O presidente do STF declarou que os indícios sob análise reclamam o devido encaminhamento institucional. Fachin, contudo, fez questão de ponderar que só anunciará as medidas cabíveis e necessárias no tempo devido e sem precipitação.

Para observadores do Judiciário, o pronunciamento do presidente do STF indica que haverá uma investigação contra Alexandre de Moraes. No entanto, a tendência sinalizada é que Fachin opte por anular tudo o que foi produzido por André Mendonça, conforme solicitado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A partir dessa anulação, a apuração passaria a ser conduzida de forma direta pelo próprio presidente do Supremo.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.