Filho de ministro do STJ agride prostituta e abandona apartamento de luxo em Brasília

Processo na 5ª Vara Cível cobra mais de R$ 60 mil do advogado Mauro Paciornik por quatro meses de aluguéis atrasados, taxas de condomínio e danos causados ao imóvel

Publicado em 28 de agosto de 2026 às 16:33

Processo que tramita na 5ª Vara Cível de Brasília cobra uma dívida de mais de R$ 60 mil do advogado Mauro Paciornik.
Processo que tramita na 5ª Vara Cível de Brasília cobra uma dívida de mais de R$ 60 mil do advogado Mauro Paciornik. Crédito: Reprodução

Um processo que tramita na 5ª Vara Cível de Brasília cobra uma dívida de mais de R$ 60 mil do advogado Mauro Paciornik, filho do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Joel Ilan Paciornik. Segundo os autos da ação, o advogado teria abandonado um apartamento de luxo após agredir uma mulher no local, deixando o imóvel com eletrodomésticos e móveis destruídos, além de acumular quatro meses de atraso no aluguel e nas taxas de condomínio.

Situado às margens do Lago Paranoá, o apartamento de um quarto contava com terraço e ofurô privativo. O imóvel foi alugado pelo advogado em abril de 2025 pelo valor de R$ 6,5 mil mensais, mas as parcelas só foram pagas regularmente até agosto daquele ano.

Em dezembro, após quatro meses de inadimplência, os proprietários do apartamento descobriram que Mauro não morava mais no endereço. O afastamento ocorreu em cumprimento a uma medida protetiva expedida pela Justiça depois que ele agrediu uma mulher dentro do imóvel. A vítima continuou residindo no local mesmo após o fornecimento de energia elétrica ter sido cortado por falta de pagamento.

No boletim policial sobre a agressão, a mulher relatou que trabalhava como acompanhante. Segundo o depoimento dela, no início do relacionamento, Mauro havia pedido para que ela deixasse a profissão, oferecendo uma ajuda de custo mensal de R$ 15 mil.

Por outro lado, o advogado alegou no processo que a relação era instável justamente devido à atuação dela como garota de programa. Mauro afirmou ter repassado mais de R$ 100 mil à mulher sob a promessa de exclusividade mútua e justificou que a agressão aconteceu quando descobriu que ela continuava exercendo a atividade às escondidas.

A petição judicial aponta que o apartamento foi devolvido com diversos danos materiais. A lista de avarias inclui furos de cigarro no sofá, televisão da sala quebrada, porta do quarto danificada e sem fechadura, além de defeitos no ofurô, que estava com a tampa plástica rasgada, jatos de massagem inoperantes e estrutura metálica solta.

Em sua manifestação na esfera cível, Mauro contestou os valores cobrados e a aplicação de uma multa por sublocação. O advogado argumentou que a permanência da mulher no imóvel ocorreu porque a sua própria saída do local foi "involuntária", decorrente da ordem judicial de afastamento.

O gabinete do ministro Joel Ilan Paciornik e o próprio advogado Mauro Paciornik não responderam às tentativas de contato da reportagem.

Contudo, os advogados de defesa de Mauro, Pedro Ivo Velloso e João Paulo Ferraz, emitiram uma nota oficial informando que o suposto caso de agressão física foi arquivado a pedido do Ministério Público, uma vez que o órgão não identificou a ocorrência de crime. A defesa destacou também que as medidas protetivas mencionadas no processo foram revogadas pelo Poder Judiciário, com a concordância expressa de ambas as partes, em decisão já transitada em julgado.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.