Publicado em 16 de julho de 2026 às 08:18
A escalada da crise comercial entre Brasil e Estados Unidos rapidamente se transformou em combustível para a polarização política em solo nacional. Nesta quinta feira (16), o senador Flávio Bolsonaro endossou publicamente as duras críticas feitas pelo secretário de Estado norte americano, Marco Rubio, que atribuiu o tarifaço de 25% à falta de empenho e de boa vontade da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas mesas de negociação. Em suas redes sociais, o parlamentar comparou o chefe do Executivo ao ex-presidente dos EUA Joe Biden, chamando-o de "ranzinza e inconsequente", e afirmou que a atual administração representa um perigo para o futuro do país, deixando o Brasil em uma situação de instabilidade.>
O estopim para a manifestação do senador foi uma declaração de Marco Rubio emitida logo após o anúncio oficial da barreira alfandegária. O secretário americano afirmou de forma categórica que o governo Lula preferiu colocar o "ego" em primeiro plano a buscar um consenso que protegesse os interesses econômicos da população, resultando na aplicação das tarifas adicionais sobre mercadorias brasileiras. Concordando com o posicionamento norte-americano, Flávio Bolsonaro utilizou a manifestação estrangeira para atacar o adversário político, alegando que a atual gestão federal gera desconfiança no mercado externo e isola o país de importantes parceiros internacionais.>
A postura de Flávio nos bastidores do conflito, no entanto, já vinha chamando atenção antes mesmo da confirmação das taxas. No último dia 7, durante uma audiência pública realizada nos Estados Unidos, o parlamentar chegou a defender que a aplicação das barreiras fiscais contra o Brasil fosse adiada para depois das eleições presidenciais de outubro. Na ocasião, o senador argumentou perante as autoridades norte-americanas que impor o tarifaço de forma imediata poderia acabar beneficiando Lula eleitoralmente.>
A declaração gerou controvérsias e, logo após a audiência, o filho do ex-presidente recuou em conversa com jornalistas. Ele mudou a narrativa para negar que apoiasse um simples adiamento, afirmando que seu objetivo real sempre foi o cancelamento definitivo da sobretaxa. Para rebater as acusações de opositores que o apontavam como aliado dos interesses americanos em detrimento da economia nacional, o senador passou a sustentar que o único interessado na manutenção do conflito e das barreiras alfandegárias seria o próprio presidente Lula.>