Flávio Bolsonaro defende o Pix e ataca Lula e STF em audiência sobre tarifas nos EUA

Senador pede cancelamento de taxas de 25% contra o Brasil, associa governos petistas à corrupção e cita cenário das eleições de 2026 em sessão oficial em Washington.

Publicado em 7 de julho de 2026 às 14:34

Flávio solicitou formalmente que as taxas americanas sejam canceladas para permitir uma negociação que não prejudique a população brasileira.
Flávio solicitou formalmente que as taxas americanas sejam canceladas para permitir uma negociação que não prejudique a população brasileira. Crédito: Fernando Pessoa/Divulgação

O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), participou de uma audiência com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para discutir a proposta de imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Durante a sessão, o parlamentar defendeu o sistema Pix, argumentando que a ferramenta, lançada no governo de seu pai, Jair Bolsonaro, não representa um problema para o sistema financeiro e atua como um complemento aos meios de pagamento dos EUA.

Flávio solicitou formalmente que as taxas americanas sejam canceladas para permitir uma negociação que não prejudique a população brasileira. Ao abordar o cenário político, o senador afirmou que a situação das eleições de 2026 pode mudar em 90 dias, sugerindo que seria difícil reverter o impacto das tarifas caso fossem aplicadas agora.

Segundo apurado, ele também culpou o Supremo Tribunal Federal (STF) e o presidente Lulapela derrubada de publicações em redes sociais americanas. O senador ainda tratou do tema da corrupção, associando escândalos como o Mensalão e problemas no INSS aos governos de Lula. "O povo brasileiro não deve ser punido por isso", declarou Flávio, defendendo que, durante a gestão de Jair Bolsonaro, o país não enfrentou episódios semelhantes.

A audiência faz parte de uma análise iniciada em julho de 2025, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que permite investigar práticas comerciais estrangeiras consideradas desleais ou prejudiciais aos interesses estadunidenses. A investigação foca em seis áreas principais, incluindo comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, combate à corrupção e desmatamento ilegal.

Ao menos 40 entidades brasileiras e americanas se inscreveram para participar das discussões, entre elas a CNA, CNI e Embraer. Paralelamente, o governo brasileiro, via Itamaraty, contestou oficialmente os argumentos dos defensores do "tarifaço", alegando que as escolhas soberanas do Brasil não justificam medidas unilaterais por parte de Washington.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.