Flávio Bolsonaro pede fala em audiência nos EUA sobre tarifa de 25% ao Brasil

Senador quer defender suspensão das tarifas e argumentar contra medidas que atingem o Pix

Publicado em 23 de junho de 2026 às 15:38

Senador quer defender suspensão das tarifas e argumentar contra medidas que atingem o Pix
Senador quer defender suspensão das tarifas e argumentar contra medidas que atingem o Pix Crédito: Reprodução 

O senador Flávio Bolsonaro se inscreveu nesta segunda-feira (22), último dia do prazo, para participar de uma audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que discute a possível aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

A audiência está marcada para o dia 6 de julho, em Washington. A decisão final sobre a adoção ou não das medidas contra o Brasil deve ser tomada até 15 de julho.

No pedido enviado ao USTR, Flávio solicitou cinco minutos para falar presencialmente no evento, destacando sua atuação como senador e também como pré-candidato à Presidência da República. Ele ainda mencionou ter tratado do tema com o presidente Donald Trump e com o secretário de Estado Marco Rubio.

Segundo informações do jornalista Paulo Figueiredo, o senador deve afirmar durante sua fala que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria adotando uma postura que favorece o aumento das tarifas por razões eleitorais, além de sustentar que existem alternativas mais eficazes do que as sanções comerciais.

O documento apresentado pelo gabinete de Flávio Bolsonaro antecipa que ele deve se posicionar contra a aplicação das tarifas sobre produtos brasileiros e também contra qualquer medida que envolva restrições ao Pix, defendendo uma saída negociada entre os dois países.

O texto indica ainda que a proposta defendida pelo senador é de suspensão da medida, com abertura imediata de um canal de negociação bilateral, com prazos definidos e mecanismos de acompanhamento. A ideia seria manter a pressão americana enquanto se busca uma solução diplomática.

O documento também sugere que um eventual governo brasileiro de perfil reformista teria maior alinhamento com as posições defendidas pelos Estados Unidos do que o atual governo.

Entre os pontos que poderiam ser discutidos em futuras negociações estão comércio digital, combate à corrupção, regras de propriedade intelectual, etanol e desmatamento.

As inscrições para a audiência foram abertas no dia 2 de junho, um dia após o USTR divulgar a recomendação de tarifas com base na Seção 301 da legislação comercial americana. A medida ainda está em fase de análise.

De acordo com a proposta, alguns setores ficariam fora da aplicação das tarifas, como carnes, café, peças de aeronaves, minerais metálicos, frutas, especiarias e petróleo, que já estão sujeitos a outras regras de segurança nacional.

A Seção 301 permite ao governo dos Estados Unidos investigar e adotar medidas contra países que, na avaliação americana, adotem práticas comerciais consideradas injustas.

No relatório que embasa a proposta, o USTR cita como preocupações o tratamento dado ao Pix, acordos comerciais considerados preferenciais, questões envolvendo etanol e desmatamento, além de críticas relacionadas à segurança jurídica.

O documento também menciona decisões judiciais envolvendo empresas de tecnologia como X, Meta e Google, afirmando que ordens judiciais teriam exigido remoção de conteúdo e suspensão de perfis.

Outro ponto citado é a aplicação de multas e sanções a plataformas digitais, incluindo casos envolvendo o X e a Rumble.

Sobre o Pix, o órgão americano afirma que o sistema pode gerar desequilíbrio concorrencial, já que o Banco Central atua tanto como regulador quanto como operador da ferramenta.

O relatório também levanta críticas ao histórico brasileiro no combate à corrupção, citando decisões relacionadas à Operação Lava Jato e a renegociação de acordos de leniência.