Flávio Dino bloqueia R$ 119 milhões de Valdemar Costa Neto por emendas irregulares

Investigação identifica ao menos 21 indicações suspeitas.

Publicado em 10 de julho de 2026 às 14:09

Valdemar Costa Neto, presidente nacional do Partido Liberal (PL).
Valdemar Costa Neto, presidente nacional do Partido Liberal (PL). Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (10) o bloqueio de R$ 119 milhões em patrimônio de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do Partido Liberal (PL). A medida cautelar fundamenta-se na acusação de que Valdemar teria encaminhado emendas parlamentares de forma irregular, uma vez que ele não exerce cargo eletivo no Congresso Nacional.

A decisão judicial baseia-se em relatórios da Polícia Federal, que apontam a existência de ao menos 21 emendas irregulares que totalizam o valor bloqueado. Para os investigadores, a influência de um terceiro, sem mandato parlamentar, sobre o direcionamento do orçamento público é classificada como "gravíssima". A PF argumenta que o caso materializa aspectos "nefastos" relacionados a desvios no âmbito do antigo orçamento secreto.

As investigações sugerem um arranjo em que deputados eram formalmente registrados como autores das indicações, enquanto as escolhas reais dos destinos dos recursos eram feitas pelo presidente do partido. Entre os repasses citados na decisão estão R$ 3 milhões para a área da saúde em Mogi das Cruzes (SP) e verbas destinadas ao turismo em municípios como Guaine (SP) e Macedônia (SP).

O processo teve origem na Operação Transparência, deflagrada em dezembro de 2025 para apurar fraudes na destinação de emendas e o descumprimento de regras de rastreabilidade fixadas pelo STF. O foco da operação é garantir que a aplicação dos recursos públicos siga os critérios constitucionais de transparência.

Em sua defesa, Valdemar Costa Neto negou as irregularidades. O dirigente partidário afirmou que não realizou as indicações pessoalmente e explicou que, em casos de cidades pequenas sem representação direta em Brasília, o líder do partido é quem assume a responsabilidade pelas demandas. A defesa do presidente do PL sustenta que não houve qualquer prática ilegal no processo de destinação das verbas.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.