Publicado em 1 de fevereiro de 2026 às 21:51
Após mais de dois anos foragido, Gutemberg Peixoto Alves de Souza, de 45 anos, foi preso na tarde deste domingo (1º), em Tatuí, no interior de São Paulo. O homem é apontado como principal suspeito pela morte da própria filha, Agata Gonzaga Peixoto, desaparecida aos 17 anos e encontrada morta em 2022. A prisão ocorreu de forma inusitada, durante uma abordagem da Guarda Civil Municipal enquanto ele pescava em um lago público da cidade.>
Os agentes realizavam fiscalização na Praça Mário Coscia quando flagraram o suspeito utilizando uma tarrafa, método considerado irregular por se tratar de pesca predatória. Durante a abordagem, Gutemberg apresentou um nome falso na tentativa de evitar identificação. No entanto, já na delegacia, uma consulta ao sistema policial revelou que se tratava de um homem com mandado de prisão em aberto pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver.>
Diante da constatação, os guardas deram voz de prisão e encaminharam o suspeito à Delegacia de Polícia de Tatuí, onde ele permanece detido.>
Desaparecimento cercado de versões contraditórias>
O caso envolvendo a morte de Agata começou a ser investigado após um longo período de silêncio e versões desencontradas. A adolescente deixou de ser vista ainda em 2021, cerca de três meses depois de passar a morar com o pai, em Ilha Comprida, no litoral paulista. À época, Gutemberg dizia à família que a filha teria ido morar com a mãe, em Itanhaém, informação posteriormente negada pela mulher quando procurada pela polícia.>
Confrontado com a negativa, o suspeito mudou o discurso e passou a afirmar que Agata teria fugido para Sorocaba com um rapaz, abandonando qualquer contato com familiares e redes sociais. As explicações, no entanto, não convenceram parentes da jovem.>
A investigação ganhou força em outubro de 2022, quando um tio da adolescente procurou a delegacia e relatou que Agata estava desaparecida havia mais de um ano. Poucas semanas depois, em 11 de novembro, policiais localizaram restos mortais no quintal da casa onde ela vivia com o pai. A ossada estava envolta em uma rede e um lenço.>
Indícios e relatos reforçam suspeita>
Além da descoberta do corpo, a apuração reuniu outros elementos que pesam contra Gutemberg, como as mentiras sucessivas sobre o paradeiro da filha, depoimentos de familiares que afirmaram que a adolescente demonstrava medo do pai e o desaparecimento do suspeito logo após ser questionado sobre o sumiço da jovem.>
O material encontrado no local foi encaminhado para análise do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico-Legal (IML), que auxiliaram na confirmação da identidade da vítima. Durante o inquérito, parentes de Agata também relataram que Gutemberg era visto como uma pessoa de comportamento difícil dentro da família e que a jovem mantinha pouco ou nenhum contato com a mãe.>