Fumaça de queimadas cobre Manaus, atinge níveis graves de poluição e paralisa aulas e serviços

Concentração de material particulado fino chegou a registrar pico de 344 µg/m³

Publicado em 10 de outubro de 2026 às 10:14

Defesa Civil emitiu alertas de risco à saúde e paralisou aulas e atividades presenciais em Manaus.
Defesa Civil emitiu alertas de risco à saúde e paralisou aulas e atividades presenciais em Manaus. Crédito: Reprodução/X @MayconMEDVET

A qualidade do ar em Manaus alcançou níveis considerados graves para a população, levando a Defesa Civil a emitir alertas de risco à saúde e motivando a paralisação de aulas e atividades presenciais na capital. De acordo com a prefeitura, a fumaça densa que encobre a cidade é decorrente de queimadas registradas em municípios do interior do Amazonas.

Em razão do cenário de severa poluição atmosférica, as aulas da rede municipal de ensino foram suspensas nesta sexta-feira (9), assim como os atendimentos presenciais nos prédios administrativos da prefeitura, mantendo-se apenas os serviços essenciais, como as Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

As instituições de ensino superior da capital também paralisaram as atividades presenciais:

- A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) suspendeu atividades acadêmicas e administrativas presenciais em todos os turnos, orientando a realização em formato remoto para preservar a saúde da comunidade;

- A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o Instituto Federal do Amazonas (IFAM) adotaram medidas semelhantes, cancelando aulas e direcionando serviços administrativos para o trabalho à distância.

Dados divulgados pela Defesa Civil de Manaus a partir de 10 sensores da rede internacional PurpleAir apontaram que a concentração de material particulado fino (MP2,5) — substância tóxica aos seres humanos — chegou a 196,4 microgramas por metro cúbico (µg/m³) no início da manhã de sexta-feira. No sistema de monitoramento, valores superiores a 160 µg/m³ já recebem a classificação de qualidade "péssima". Na noite anterior, às 22h de quinta-feira (8), já havia sido computado um pico de 200,0 µg/m³.

O acompanhamento técnico realizado por pesquisadores da UEA através da plataforma Selva (Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental) apontou que os índices vêm superando diariamente a marca de 100 µg/m³ desde quarta-feira (7).

O patamar mais crítico foi registrado às 2h da madrugada de sexta-feira, quando o índice atingiu 344,5 µg/m³. Na escala oficial do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), faixas entre 125 e 300 µg/m³ já configuram a classificação péssima.

O órgão de proteção civil recomendou cautela redobrada aos grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças respiratórias. As orientações incluem:

- Reforço na hidratação diária;

- Utilização de máscaras protetoras do modelo PFF2;

- Suspensão da prática de exercícios físicos ao ar livre.

A administração municipal comunicou que está intensificando ações de combate a queimadas urbanas, ampliando a fiscalização ambiental e prestando assistência direta aos moradores atingidos.