Fundo ligado ao Banco Master atribui valor milionário a terreno embargado em Minas

Imóvel adquirido para quitar dívida de R$ 22 milhões aparece valorizado em R$ 118 milhões em fundo ligado ao Banco Master.

Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 09:21

Fundo ligado ao Banco Master atribui valor milionário a terreno embargado em Minas
Fundo ligado ao Banco Master atribui valor milionário a terreno embargado em Minas Crédito: Reprodução/Google Earth

Um terreno localizado em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, tornou-se um dos pontos sensíveis das negociações envolvendo ativos repassados pelo Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). A área, com cerca de 137 hectares, foi incorporada ao patrimônio do Master em 2020 como forma de quitar uma dívida de R$ 22 milhões, mas passou a ser tratada, em documentos financeiros, como um empreendimento avaliado em R$ 118 milhões.

O imóvel íntegra a carteira do fundo de investimentos CMX Realty, anteriormente controlado pelo Banco Master, onde aparece descrito como o projeto imobiliário “Pedra Histórica”. A valorização, no entanto, contrasta com a situação atual do terreno, que permanece vazio, coberto por vegetação nativa e com qualquer tentativa de desenvolvimento suspensa por decisão da Prefeitura de Brumadinho.

A proposta apresentada ao mercado previa a construção de um complexo residencial e turístico, com mais de 200 lotes, hotel, áreas de lazer, hípica e clube. O plano chegou a avançar nos trâmites administrativos, mas sofreu um revés em 2024, quando fiscais ambientais identificaram intervenções irregulares, como desmatamento sem autorização, alterações em área de preservação permanente e movimentação de solo fora dos parâmetros legais. Diante das infrações, o município determinou o embargo da área, que segue em vigor enquanto a empresa responsável tenta reverter a decisão na Justiça.

Mesmo com o projeto travado, a avaliação do ativo permaneceu inalterada nos registros do fundo. O terreno é um dos bens oferecidos pelo Master ao BRB como tentativa de compensar um rombo estimado em R$ 12,2 bilhões, valor que está no centro de investigações em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), envolvendo suspeitas de fraudes em operações financeiras.

Além da área em Brumadinho, outros ativos repassados ao banco público também levantam questionamentos. Entre eles está um terreno de 76 mil metros quadrados em Contagem (MG), que nunca teria sido quitado por empresas ligadas à família Vorcaro e que atualmente está bloqueado judicialmente, impedindo qualquer negociação. Há ainda participações em fundos com bens cuja venda está suspensa e ativos vinculados a instituições já liquidadas.

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro sustenta que todos os bens entregues ao BRB estavam devidamente registrados nos balanços do Banco Master e incluídos nas demonstrações financeiras da instituição. Segundo o posicionamento, os ativos passaram por auditorias periódicas e foram avaliados com base em metodologias formais, previstas nas normas internas de classificação de risco e acompanhadas pelos órgãos de supervisão.

O banco e seu controlador afirmam ainda que não houve transferência de ativos ocultos ou fora das regras contábeis e regulatórias, argumentando que as operações seguiram os critérios técnicos vigentes à época. Procurados novamente para comentar os detalhes específicos sobre os ativos citados, os representantes do Master não se manifestaram até a publicação desta reportagem.

Enquanto isso, a situação do terreno em Brumadinho segue indefinida: um ativo avaliado em cifras milionárias no papel, mas que, na prática, permanece sem uso e sob restrições ambientais, tornando-se símbolo das controvérsias que cercam o caso.