Publicado em 15 de setembro de 2026 às 14:20
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), juntou-se ao ministro André Mendonça em duras críticas à conduta da Polícia Federal (PF) no âmbito das apurações do caso Master. Durante as deliberações da sessão plenária desta terça-feira (15), Fux acusou a corporação de "peitar ministro" e atuar como uma "polícia paralela", elevando a tensão institucional na Corte antes de os trabalhos serem suspensos pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, com retorno marcado para as 14h.>
A manifestação de Fux insere-se no debate sobre a legalidade dos relatórios elaborados pela PF e tornados públicos por Mendonça. O conjunto de documentos reúne 52 mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro que mencionam suposta proximidade com o ministro Alexandre de Moraes e citam contratos com o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. A defesa de Moraes e a Procuradoria-Geral da República (PGR) sustentam que o relatório da PF é inconstitucional e que a investigação avançou de forma irregular sobre um integrante da Corte sem prévia autorização ou comunicação à Presidência do STF.>
A sessão matutina também registrou a intervenção do ministro Gilmar Mendes, que defendeu a imparcialidade do tribunal e questionou o fato de o presidente Edson Fachin ter assumido a relatoria dos procedimentos (PETs 16.662 e 16.704). Gilmar ponderou que sugeriu o encaminhamento dos autos à Presidência unicamente para delimitar a pauta de julgamento do plenário, ressaltando que o regimento interno impõe a distribuição sorteada das ações entre os ministros.>
Ainda durante a manhã, os ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli comunicaram que não votarão na apreciação do caso: Nunes Marques declarou impedimento técnico, enquanto Toffoli alegou suspeição por foro íntimo.>
Com a reabertura dos trabalhos às 14h, os ministros devem decidir sobre a abertura de investigação contra Moraes, a eventual anulação das peças produzidas pela PF e a unificação dos processos do caso Master para a sessão do dia 23 de setembro.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>