Garotinho desiste de recurso e TSE pode declarar Douglas Ruas eleito governador no Rio de Janeiro

Defesa do ex-governador contesta a decisão e pede homologação de desistência ao tribunal, que ainda não se manifestou.

Publicado em 5 de outubro de 2026 às 15:49

Os votos, se anulados, podem cancelar o segundo turno no Rio de Janeiro -
Os votos, se anulados, podem cancelar o segundo turno no Rio de Janeiro - Crédito: Reprodução/TV Globo.

Por Rui Guilherme Filho - Belém (PA)

O ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (Republicanos), desistiu de recurso apresentado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o indeferimento de sua candidatura ao executivo fluminense nas eleições deste ano. A decisão, tomada nesta segunda-feira (05), pode eleger Douglas Ruas (PL) como governador do estado em primeiro turno, cancelando a disputa com Eduardo Paes (PSD) em segundo turno, definida no último domingo (04).

A defesa de Garotinho protocolou no TSE, por volta das 14h09, um termo de desistência do recurso ordinário eleitoral que discutia o registro da candidatura, que está sob relatoria do ministro Floriano de Azevedo Marques. No documento, os advogados afirmam que a decisão de Garotinho é “livre, expressa, consciente e irretratável”. Os advogados citam o artigo 998 do Código de Processo Civil e sustentam que Garotinho pode desistir do recurso a qualquer momento, sem necessidade de concordância das demais partes. O resultado, porém, ainda depende da formalização dessa desistência e de uma eventual retotalização dos votos pela Justiça Eleitoral. O tribunal ainda não se posicionou sobre o caso.

Após totalizar 100% das urnas apuradas, Douglas Ruas teve 4.271.199 votos e apareceu com 49,27% dos votos válidos. Eduardo Paes (PSD), segundo colocado, recebeu 3.706.984 votos, ou 42,76%. Já Garotinho, que estava anulado sub judice, teve 274.411 votos, equivalentes a 3,17%, reunindo 8.669.038 votos. Caso seja retotalizado, a diferença cai para 8.394.627 votos e Ruas chega a 50,88%, número necessário para vencer a eleição no primeiro turno. Paes também seria beneficiado com a mudança, subindo para 44,16%. Se os votos forem considerados nulos, porém, nada muda. O TSE não se posicionou sobre o que será feito caso o pedido de Garotinho seja aceito.

O registro da candidatura de Garotinho foi indeferido pelo TRE-RJ por conta de uma condenação por improbidade administrativa, no início dos anos 2000, quando era secretário de governo de Rosinha Garotinho, sua esposa e então governadora do estado. A defesa do ex-governador argumenta que o período de inelegibilidade teria se encerrado em julho e recorreu, sendo apresentado ao próprio TRE, que colhe parecer do Ministério Público Eleitoral e de outros interessados na ação e remete à corte superior. Este é o processo que define a validade ou não dos votos dados a Garotinho.

Em outra frente, o ex-governador entrou no TSE para garantir sua campanha mesmo com o indeferimento da candidatura. Foi nesse processo que o ministro Floriano Marques decidiu, na última sexta-feira (02), que os votos dados a Garotinho não deveriam ser considerados. No domingo, no entanto, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou que os votos dados a Garotinho fossem “considerados no cálculo dos percentuais obtidos por cada concorrente ao pleito majoritário, até que seja proferida decisão colegiada pelo Tribunal Superior Eleitoral”.