Publicado em 10 de março de 2026 às 18:05
O Palácio do Planalto decidiu intervir diretamente para tentar conter a disseminação de informações sigilosas relacionadas ao escândalo do Banco Master. A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, orientou o ministro da Justiça, Wellington Lima, a instaurar uma investigação para apurar a origem dos vazamentos que vêm sacudindo os Três Poderes.>
A decisão foi tomada após uma reunião, ocorrida nesta segunda-feira (9), entre a ministra e lideranças governistas do Congresso. O principal receio do entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é que o caso se transforme em uma "nova Lava Jato", utilizando vazamentos seletivos para desgastar a imagem do governo e atingir alvos políticos em pleno ano eleitoral.>
Dentro do PT e entre assessores presidenciais, há o temor de que o atual clima de "Lava Jato" abra espaço para candidatos outsiders ou "azarões", como ocorreu em 2018. Líderes de esquerda argumentam que, mesmo que não haja responsabilidade direta do presidente Lula nas fraudes, a população tende a culpar o governante de turno pelo que é noticiado.>
O ponto de partida para a reação do Planalto foi o avanço das perícias no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, preso pela segunda vez em 4 de março. As mensagens recuperadas pela Polícia Federal (PF) revelaram uma rede de influência que atinge a República, incluindo jantares com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e diálogos com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).>
Além das relações políticas, o celular de Vorcaro expôs a existência de uma estrutura paralela de coação e vigilância, denominada "A Turma". Liderada por um indivíduo identificado como "Sicário", que faleceu recentemente após uma tentativa de suicídio na prisão, essa organização criminosa é suspeita de intimidar adversários e jornalistas, como Malu Gaspar e Lauro Jardim.>
A crise também se estende ao Legislativo e ao Judiciário:>
Lula telefonou para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em uma tentativa de apagar incêndios após o senador manter a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), filho do presidente. A medida de Alcolumbre foi vista como retaliação após Lula citar o prejuízo de R$ 400 milhões do Instituto de Previdência do Amapá no esquema do Master.>
O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso após a revelação de elos financeiros entre sua família e fundos ligados ao banco. Mais recentemente, o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, confirmou um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, embora negue atuação na Suprema Corte.>
O grupo jurídico Prerrogativas divulgou nota criticando o que chamou de "abusos e espetacularização" das investigações, afirmando que os vazamentos seletivos remetem à "vergonhosa memória da Operação Lava Jato".>
O governo ainda busca uma estratégia de comunicação unificada para lidar com o tema. Enquanto auxiliares sugerem uma postura ofensiva para associar o escândalo à direita bolsonarista, dado que parentes de Vorcaro foram grandes doadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, e Tarcísio de Freitas em 2022, o presidente Lula ainda não definiu uma linha de discurso definitiva.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Cássio Leal.>