Governo brasileiro estuda crédito e novos mercados para enfrentar tarifas dos EUA

Medidas buscam reduzir impactos da sobretaxa de 25% que entra em vigor nesta quarta-feira (22).

Publicado em 21 de julho de 2026 às 16:16

Vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin lidera as conversas com entidades da indústria.
Vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin lidera as conversas com entidades da indústria. Crédito: Diogo Zacarias/MF

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou as articulações para mitigar os impactos da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros anunciada por Donald Trump. Entre as principais ações em debate estão a ampliação de linhas de crédito para exportação, ajustes no Plano Brasil Soberano e a abertura de novos mercados para redirecionar o comércio nacional. A sobretaxa norte-americana entra em vigor nesta quarta-feira (22), e a equipe econômica avalia os efeitos práticos antes de editar medidas provisórias de apoio ao setor produtivo.

O vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin lidera as conversas com entidades da indústria, tendo se reunido com representantes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e de outros setores, como calçados e eletroeletrônicos. A indústria apresentou propostas para reduzir o chamado "custo Brasil", sugerindo a ampliação do seguro de crédito à exportação e a eliminação de resíduos tributários.

O setor de máquinas, embora tenha registrado queda nas vendas para os Estados Unidos, conseguiu expandir suas exportações globais em 12% no último ano, reforçando a tese de que a diversificação é um caminho viável.

A estratégia diplomática brasileira, por enquanto, prioriza a negociação direta com Washington em vez de retaliações imediatas. Setores da indústria manifestaram-se contra a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, defendendo que o impasse deve ser resolvido via diplomacia de Estado e empresarial.

O cenário pode se tornar ainda mais desafiador na próxima sexta-feira (24), quando há previsão de incidência de uma tarifa adicional de 12,5% recomendada pelo escritório comercial dos EUA, embora ainda não esteja claro se as taxas serão cumulativas.

Para compensar as possíveis perdas no mercado americano, o Brasil mapeou destinos prioritários para seus produtos, com destaque para o Japão, os Emirados Árabes Unidos e o Canadá. O fortalecimento do programa Brasil Soberano também é visto como essencial para aumentar a competitividade das empresas nacionais diante do protecionismo.

O Ministério da Fazenda informou que seguirá monitorando a situação de perto para garantir que as ferramentas de apoio sejam calibradas conforme a necessidade real de cada setor afetado.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.