Publicado em 5 de maio de 2026 às 14:07
O governo federal decidiu aumentar a classificação indicativa do YouTube no Brasil. A medida, fundamentada em uma análise técnica do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), concluiu que a plataforma exibe conteúdos prejudiciais que exigem maior rigor no controle de acesso para o público infantojuvenil.>
Um dos principais motivos para o endurecimento da regra foi a circulação de animações criadas por inteligência artificial que viralizaram recentemente, conhecidas como "Novela das frutas". Segundo o documento do MJSP, esses vídeos possuem uma aparência inofensiva, utilizando personagens de frutas e vegetais com traços atraentes para crianças, mas abordam temas extremamente pesados, como tráfico de drogas, violência doméstica, mutilações, estupro e execuções.>
A nota técnica destaca que o uso de recursos visuais como câmera lenta e enquadramentos fechados em cenas de ferimentos e sangramentos aumenta o impacto negativo desse conteúdo. Por causa disso, o governo determinou que a plataforma agora deve indicar a presença de violência extrema, conteúdo sexual, drogas e linguagem imprópria.>
Com a nova determinação, o YouTube passa a não ser recomendado para menores de 16 anos. A plataforma é obrigada a exibir o selo de classificação de forma visível em lojas de aplicativos e informar o usuário sobre a restrição de idade antes que ele acesse o serviço na internet. Essa alteração está inserida no contexto do ECA Digital, que estabelece normas mais rígidas para o uso de serviços online por menores, proibindo, por exemplo, a autodeclaração de idade em sites restritos.>
O YouTube não é o único serviço a sofrer revisões recentes. No início de 2026, outras plataformas populares como TikTok, Kwai, Instagram e LinkedIn também tiveram suas classificações elevadas para a faixa de 16 anos. O Google, proprietário do YouTube, tem o direito de recorrer da decisão em até dez dias após a publicação oficial.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>