Grupo de Vorcaro invadiu sistemas da PF, FBI e Interpol, diz apuração

Vorcaro é investigado por suspeita de fraudes bilionárias envolvendo o banco e foi preso novamente nesta quarta-feira (4), por determinação do ministro André Mendonça

Publicado em 4 de março de 2026 às 18:40

Daniel Vorcaro -
Daniel Vorcaro - Crédito: Divulgação

Investigações da Polícia Federal revelam que integrantes do grupo ligado ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, acessaram de forma indevida sistemas sigilosos da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais, como o FBI e a Interpol.

Vorcaro é investigado por suspeita de fraudes bilionárias envolvendo o banco e foi preso novamente nesta quarta-feira (4), por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que assumiu a relatoria do caso após a saída de Dias Toffoli.

Na decisão, Mendonça destacou que a prisão preventiva é necessária diante do risco à ordem pública, às investigações em curso e à segurança de autoridades envolvidas no caso.

Além de Vorcaro, também foram presos:

• Fabiano Zettel, cunhado do empresário, apontado como operador financeiro dos supostos esquemas fraudulentos;

• Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, descrito pela investigação como coordenador de uma milícia privada chamada “A Turma”, que teria sido utilizada para monitorar ilegalmente e intimidar adversários, autoridades e jornalistas;

• Marilson Roseno da Silva, integrante do mesmo grupo, suspeito de usar experiência e contatos para obter informações sigilosas e realizar vigilância clandestina.

Em nota, a defesa de Vorcaro afirmou que o empresário nunca tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça. Já os advogados de Zettel informaram que ele está à disposição para colaborar com as investigações.

Segundo a Polícia Federal, Mourão seria responsável por realizar consultas e extrair dados de sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases utilizadas por instituições de segurança e investigação. Os acessos teriam ocorrido por meio do uso de credenciais funcionais de terceiros, o que possibilitava a obtenção de informações protegidas por sigilo institucional.

Com esse método, ainda de acordo com a investigação, o grupo conseguiu acessar indevidamente sistemas da PF, do MPF e até de organismos internacionais. Há indícios também de que Mourão participava de negociações para obtenção de dados pessoais e institucionais de autoridades, jornalistas e outros alvos considerados estratégicos pela organização.

As informações coletadas, conforme aponta a decisão judicial, eram repassadas a integrantes responsáveis pela definição de estratégias e pela tomada de decisões, incluindo ações para remoção de conteúdos e perfis em plataformas digitais considerados prejudiciais aos interesses do grupo.

Com informações do G1