Grupo é alvo de operação por suspeita de golpe de R$ 845 milhões em herança do fundador da Unip

Investigação do Ministério Público de São Paulo aponta uso de contratos falsos, assinaturas adulteradas e arbitragem simulada para cobrar dívida inexistente.

Publicado em 31 de março de 2026 às 12:38

Grupo é alvo de operação por suspeita de golpe de R$ 845 milhões em herança do fundador da Unip
Grupo é alvo de operação por suspeita de golpe de R$ 845 milhões em herança do fundador da Unip Crédito: Reprodução/Unip

Uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil foi deflagrada nesta terça-feira (31) para cumprir nove mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão contra um grupo suspeito de tentar desviar R$ 845 milhões da herança do empresário João Carlos Di Genio, criador de um dos maiores conglomerados de educação privada do país.

De acordo com as investigações, os suspeitos teriam montado uma estrutura de fraude para dar aparência de legalidade a uma cobrança milionária contra o espólio do empresário, morto em 2022. A promotoria afirma que o esquema envolvia documentos falsificados, contratos imobiliários inexistentes e até uma sentença arbitral supostamente forjada para sustentar a cobrança judicial.

Segundo o Ministério Público, a fraude começou a ser articulada ainda em 2021, meses antes da morte de Di Genio. A investigação aponta que o grupo produziu um falso compromisso de compra e venda envolvendo 448 imóveis localizados em Piraju, no interior paulista. Também teriam sido confeccionados uma nota promissória de R$ 635 milhões, termos de posse e outros documentos com assinaturas atribuídas ao empresário e a um procurador.

Laudos periciais, porém, confirmaram que as assinaturas foram falsificadas por meio de montagem e decalque, reforçando a tese de que o negócio jamais existiu.

Com a documentação em mãos, o grupo teria tentado transformar a suposta dívida em título executivo por meio de uma câmara arbitral de fachada, identificada como Fonamsp. A estrutura, segundo os investigadores, foi usada para simular uma decisão legal e pressionar o espólio ao pagamento de valores indevidos.

Em um segundo momento, a suposta dívida, inicialmente calculada em R$ 635 milhões, foi atualizada pelos próprios investigados para R$ 845 milhões. O valor chegou a ser levado ao processo de inventário, em uma tentativa de reservar a quantia na partilha dos bens. A medida, no entanto, foi posteriormente derrubada pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo após a identificação de indícios consistentes de fraude.

Entre os nove alvos da operação estão nomes apontados como integrantes dos núcleos documental, financeiro e logístico do esquema. A investigação também cita a empresa Colonizadora Planalto Paulista, apresentada como falsa credora da dívida, e a Fonamsp, descrita como peça central para dar aparência de legitimidade ao golpe.

Até a publicação desta matéria, as autoridades ainda não haviam confirmado prisões.

A viúva de Di Genio e inventariante do espólio, Sandra Rejane Gomes Miessa, informou que comunicou as suspeitas às autoridades assim que tomou conhecimento da tentativa de cobrança milionária baseada em uma negociação imobiliária inexistente. Em nota, ela afirmou confiar no trabalho dos órgãos responsáveis para a completa elucidação do caso e a responsabilização dos envolvidos.

Fundador do Grupo Objetivo e da Universidade Paulista, João Carlos Di Genio construiu um dos maiores impérios educacionais do Brasil, com atuação do ensino básico à pós-graduação.