Grupo Fictor pede recuperação judicial após crise pela liquidação do Banco Master

Holding com atuação nos setores financeiro, energético e de alimentos tenta reorganizar passivo estimado em R$ 4 bilhões e atribui colapso de liquidez a efeitos do caso Master.

Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 09:56

Grupo Fictor pede recuperação judicial após crise pela liquidação do Banco Master
Grupo Fictor pede recuperação judicial após crise pela liquidação do Banco Master Crédito: Reprodução

O Grupo Fictor ingressou com um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) em meio a um cenário de forte restrição financeira. A holding, que atua em diferentes frentes da economia brasileira, busca reestruturar um endividamento estimado em cerca de R$ 4 bilhões e afirma que a deterioração de sua liquidez teve origem em eventos ligados à liquidação do Banco Master, determinada pelo Banco Central em novembro do ano passado.

Em comunicado oficial, a empresa sustenta que a crise iniciou após a intervenção na instituição financeira, com a qual mantinha negociações avançadas para aquisição. Segundo a Fictor, a decisão do Banco Central interrompeu o processo e desencadeou uma sequência de repercussões negativas no mercado, afetando diretamente a confiança de investidores e parceiros.

Poucos dias antes da liquidação, o grupo havia anunciado a intenção de comprar o Banco Master por R$ 3 bilhões. No entanto, em 18 de novembro de 2025, a autoridade monetária decretou a liquidação extrajudicial do banco, sob a alegação de irregularidades na comercialização de carteiras de crédito. Na mesma ocasião, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e de integrantes da alta gestão da instituição.

Impacto reputacional e plano de reestruturação

De acordo com a Fictor, o episódio provocou um efeito em cadeia. A holding afirma ter sido alvo de especulações e de um volume expressivo de notícias negativas, o que teria pressionado ainda mais seu caixa e dificultado o acesso a recursos no mercado financeiro. Mesmo assim, o grupo afirma que pretende honrar integralmente seus compromissos, sem aplicação de descontos aos credores.

No pedido apresentado à Justiça, a empresa solicitou uma tutela de urgência para suspender execuções, bloqueios e cobranças pelo prazo inicial de 180 dias. A medida, segundo a holding, visa evitar ações isoladas que possam comprometer uma solução coletiva e organizada para a quitação das dívidas.

A Fictor também informou que a recuperação judicial se restringe à holding e não alcança as empresas controladas. As subsidiárias, de acordo com o grupo, seguem operacionais, com contratos vigentes e projetos em andamento.

Estrutura do grupo e histórico recente

A Fictor Holding Financeira concentra investimentos em três áreas principais: serviços financeiros, energia e alimentos. O conglomerado emprega cerca de 6 mil pessoas, incluindo aproximadamente 1,5 mil assessores comerciais. Em 2025, a empresa concedeu mais de R$ 1 bilhão em crédito consignado e ampliou sua presença nacional no setor financeiro.

Um dos braços do grupo, a Fictor Alimentos, abriu capital e passou a registrar faturamento mensal na casa dos R$ 100 milhões. A holding também ganhou visibilidade ao se tornar patrocinadora máster do Palmeiras, reforçando sua exposição no cenário nacional.

Já a Fictor Agro, voltada ao agronegócio, esteve no centro de apurações conduzidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em 2025, a autarquia determinou a interrupção da captação de recursos por meio de sociedades em conta de participação (SCPs), prática que vinha sendo utilizada pela empresa. A aquisição do Banco Master, segundo apurações divulgadas à época, poderia contribuir para reorganizar esse braço do negócio.

Caso Banco Master segue sob análise

A liquidação do Banco Master continua gerando desdobramentos. Desde a decisão do Banco Central, credores passaram a recorrer ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), com valores que somam mais de R$ 40 bilhões. O Tribunal de Contas da União chegou a discutir a possibilidade de reversão da medida, mas recuou após repercussão negativa.

No Judiciário, o caso é analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Dias Toffoli. Enquanto isso, o Grupo Fictor aposta na recuperação judicial como caminho para preservar suas operações e reorganizar as finanças em um dos momentos mais delicados de sua história recente.