Homem que matou esposa debilitada por AVC é condenado a 30 anos de prisão em Goiás

Tribunal do Júri de Quirinópolis aplica pena máxima por feminicídio qualificado e fixa indenização de R$ 50 mil para a família de Cléria Rosa de Moraes.

Publicado em 12 de junho de 2026 às 08:52

Homem que matou esposa debilitada por AVC é condenado a 30 anos de prisão em Goiás
Homem que matou esposa debilitada por AVC é condenado a 30 anos de prisão em Goiás Crédito: Reprodução/Redes sociais

O Tribunal do Júri do município de Quirinópolis, situado no sudoeste goiano, condenou a 30 anos de reclusão o homem que tirou a vida da própria esposa enquanto ela repousava em sua residência. A sentença contra Gilberto Rodrigues da Silva foi proferida pelo Conselho de Sentença sob a condução do juiz Lucas Caetano Marques de Almeida nesta quarta-feira (10). Além do cumprimento imediato da pena em regime fechado pelo crime de feminicídio qualificado, a Justiça estipulou o pagamento de uma indenização por danos morais no valor de R$ 50 mil destinada aos familiares da vítima.

A tragédia que chocou a comunidade local aconteceu em outubro de 2025. Na ocasião, a vítima, identificada como Cléria Rosa de Moraes, enfrentava um período de extrema vulnerabilidade na saúde e se recuperava de um Acidente Vascular Cerebral, o AVC. Aproveitando-se do estado de fragilidade física da companheira, Gilberto entrou no quarto onde ela descansava e desferiu um único golpe de faca na região do pescoço, impossibilitando qualquer chance de defesa.

A dinâmica que se sucedeu ao assassinato revelou o comportamento perturbador do agressor. Logo após cometer o crime, o homem se deslocou até a residência de uma vizinha para relatar o ocorrido. Assustada com a confissão, a testemunha acionou a Polícia Militar. Ao chegarem ao endereço do casal, os agentes de segurança se depararam com o agressor sentado na calçada pública, com as roupas e o corpo manchados de sangue. Na abordagem, Gilberto demonstrou sinais evidentes de estar sob a influência de substâncias entorpecentes ou bebidas alcoólicas, conforme relatado pelo tenente Bruno Estanislau Cruz.

Ao ser questionado pelos policiais sobre a motivação de uma violência tão brutal, o criminoso alegou friamente que a sua intenção era apenas colocar um ponto final no sofrimento provocado pelas condições médicas da esposa. A equipe policial entrou no imóvel e confirmou o óbito de Cléria, efetuando a prisão em flagrante do marido. A Procuradoria da Mulher de Quirinópolis emitiu um pronunciamento oficial lamentando a perda e frisando que a vítima, descrita por amigos e parentes como uma pessoa muito querida na região, entra para as estatísticas alarmantes de mulheres que perderam a vida em decorrência do gênero em território nacional.