INSS: Investigado por fraudar biometria de aposentados dribla investigações com uso de celular

Perícia aponta que empresário ativou mecanismo de segurança do iPhone após aprovação da apreensão; aparelho entrou em modo de proteção máxima

Publicado em 3 de março de 2026 às 10:02

INSS: Investigado por fraudar biometria de aposentados dribla investigações com uso de celular
INSS: Investigado por fraudar biometria de aposentados dribla investigações com uso de celular Crédito: Reprodução: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O empresário Igor Dias Delecrode, suspeito de desviar até R$ 1,4 bilhão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por meio de um programa criado para fraudar biometrias faciais e assinaturas digitais de aposentados, é investigado por utilizar recursos de segurança do próprio celular para obstruir as apurações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional.

De acordo com relatório da Polícia Federal, Delecrode reiniciou o aparelho imediatamente após a CPMI aprovar a apreensão do dispositivo, durante sessão realizada em 10 de novembro de 2025. A ação ocorreu diante dos integrantes do colegiado, que não perceberam o procedimento.

Segundo a perícia, ao desligar e reiniciar o telefone, um iPhone 17 Pro Max, o empresário fez com que o aparelho entrasse no estado conhecido como “Antes do Primeiro Desbloqueio”. Nesse modo, as chaves de criptografia são removidas da memória, impedindo o acesso a mensagens, arquivos e registros sem a senha do usuário.

O laudo aponta que o dispositivo foi reiniciado por volta das 19h37 e, desde então, passou a operar em modo de proteção máxima. Os peritos registraram que não foi possível extrair os dados da memória interna do celular, sendo necessário o fornecimento da senha para qualquer acesso. Delecrode se recusou a informar o código de desbloqueio.

Imagens da sessão analisadas pela perícia mostram que, logo após a ordem de apreensão, o empresário pressionou os botões laterais do aparelho e deslizou o dedo pela tela, procedimento utilizado para desligar modelos mais recentes de iPhone. Minutos depois, o sistema registrou a reinicialização.

A Polícia do Senado concluiu haver coerência entre as imagens da sessão, os registros internos do telefone e o bloqueio identificado pela Polícia Federal. Para os investigadores, há indícios de que o próprio usuário realizou o procedimento com o objetivo de proteger as informações armazenadas.

A apreensão do celular foi aprovada por votação simbólica a partir de requerimento do relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil). Após a decisão, o aparelho foi entregue ao presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos), que o repassou à Polícia Legislativa.

Durante o depoimento, o advogado Levy Magno orientou Delecrode a não fornecer a senha, argumentando que a apreensão dependeria de autorização judicial. O pedido de devolução do telefone foi negado. Em fevereiro deste ano, os parlamentares chegaram a solicitar à Justiça a prisão preventiva do empresário, que segue em liberdade.

Próximos passos

No relatório, os investigadores recomendam a tentativa de recuperação de dados armazenados em nuvem, além da quebra de sigilo junto à operadora vinculada ao número utilizado pelo suspeito. Também foi sugerida a apuração de um número internacional identificado durante a perícia.

A polícia apura ainda a possível atuação conjunta de Delecrode com entidades como Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista (Aasap), Amar Brasil Clube de Benefícios, Master Prev, Andapp e AAPEN.

Para os investigadores, o uso dos próprios mecanismos de segurança do aparelho no momento da apreensão foi determinante para impedir o acesso imediato às informações e impactou diretamente o andamento da investigação sobre as supostas fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS.