Interpol aciona família brasileira após semelhança de menino resgatado nos EUA com criança desaparecida no Maranhão

Menino de 4 anos desapareceu em janeiro deste ano, junto com a irmã e um primo

Publicado em 9 de setembro de 2026 às 07:47

(Alan e Ágatha, irmãos desaparecidos há oito meses no Maranhão - )
(Alan e Ágatha, irmãos desaparecidos há oito meses no Maranhão - ) Crédito: Reprodução/Redes Sociais

O caso de duas crianças desaparecidas há mais de oito meses no Maranhão ganhou um novo capítulo após uma operação realizada nos Estados Unidos terminar com o resgate de 163 crianças e adolescentes. Entre os menores localizados na Flórida, um menino chamou a atenção de pessoas que acompanham o desaparecimento de Alan Michael, de quatro anos, por apresentar características físicas semelhantes às da criança maranhense.

Alan desapareceu em janeiro deste ano, em Bacabal, no interior do Maranhão, junto com a irmã, Ágatha Isabelle, de seis anos, e o primo Anderson Kauã, de oito anos.

Anderson foi encontrado três dias após o desaparecimento e, atualmente, está bem e permanece com a família. Já Alan e Ágatha continuam sem serem localizados.

Durante todo esse período, nenhum vestígio físico dos dois irmãos foi encontrado. Segundo a família, não foram localizadas sequer peças de roupas ou outros objetos que pudessem ajudar a esclarecer o que aconteceu com as crianças.

A operação realizada na Flórida aumentou a expectativa de que uma nova pista possa ajudar nas buscas. Ao todo, 163 crianças e adolescentes foram resgatados pelas autoridades norte-americanas. Os menores são de 12 nacionalidades diferentes, incluindo brasileiros, e têm idades que variam de dois meses a 17 anos.

Foi justamente entre essas crianças que surgiu a possibilidade de o menino localizado ser Alan Michael.

Imagens viralizaram nas redes sociais

A semelhança entre o garoto encontrado nos Estados Unidos e Alan fez com que imagens da criança começassem a circular nas redes sociais. A repercussão chegou até a equipe que acompanha o caso da família.

Menino que foi encontrado, à esquerda, e Alan Michael, as pessoas acharam eles muito parecidos – 
Menino que foi encontrado, à esquerda, e Alan Michael, as pessoas acharam eles muito parecidos –  Crédito: Reprodução/Redes Sociais

Jeferson Andrade, assessor de imprensa de Clarice Cardoso, mãe de Ágatha e Alan, afirmou que recebeu milhares de mensagens de pessoas apontando a possível semelhança.

“Eu passei a receber milhares de mensagens tanto no meu perfil pessoal quanto no da agência. Muita gente me mandando a mesma mensagem: ‘essa criança é parecida com o filho da Clarice’. Imediatamente quando essa notícia surgiu, nós entramos em contato com as autoridades internacionais como a Dra. Nathaly (advogada de Clarice) falou e estamos aguardando como que vai ser feito esse reconhecimento, quais procedimentos”.

Apesar da grande repercussão, o assessor ressaltou que ainda não existe qualquer confirmação oficial de que a criança encontrada na Flórida seja Alan Michael.

“Mas NÃO tem nenhuma informação confirmada de que essa criança aqui é o filho da Clarice. Agradeço de verdade a cada um que estão nos mandando fotos, que estão compartilhando fotos dos filhos da Clarice. Os filhos da Clarice ainda NÃO foram encontrados, já se passaram mais de oito meses”, afirmou.

Jeferson também reforçou a importância de continuar divulgando as imagens e o caso dos irmãos desaparecidos.

“Nós continuamos essa divulgação aqui na internet. Quem tiver qualquer informação sobre as crianças pode entrar em contato, sua identidade será mantida em sigilo. Mas no momento não temos nenhuma notícia. Não foi confirmado se essa criança é ou não o filho da Clarice. Porque nós estamos aguardando esse contato e essas informações que a dra Nathaly está mantendo com o pessoal da justiça internacional”.

Advogada busca ajuda do consulado brasileiro

Diante da possibilidade de haver uma criança brasileira entre os menores encontrados na operação, a advogada de Clarice, Nathaly Moraes,  informou por meio das redes sociais que acionou o consulado brasileiro nos Estados Unidos.

Segundo a advogada, o órgão foi procurado porque possui representantes em Miami, que podem acompanhar a situação diretamente no local onde as crianças foram encontradas.

“Para evitar qualquer desinformação. Nós procuramos o consulado brasileiro, por que o consulado brasileiro? Porque o consulado brasileiro já está em Miami. Então, os nossos representantes lá estão in loco. Eles podem verificar na localidade se existem crianças brasileiras”, explicou Nathaly.

A advogada também destacou que algumas das crianças resgatadas ainda não foram identificadas. Segundo ela, o estado de vulnerabilidade e os traumas enfrentados pelos menores podem dificultar a confirmação da identidade e da nacionalidade.

“Porque existem crianças não identificadas ainda devido ao estado de fragilidade, muitas crianças estão tão traumatizadas que não conseguem falar. Isso dificulta o reconhecimento da nacionalidade”.

Nathaly ressaltou que a atuação da equipe não está limitada à operação realizada nos Estados Unidos. A defesa também encaminhou pedidos de informações sobre crianças encontradas em outros países, na tentativa de verificar se alguma delas pode ter relação com o desaparecimento de Ágatha e Alan.

“E foi no consulado que eu busquei ajuda. Mas o nosso pedido de ajuda, o nosso requerimento formal, ele não foi unicamente para essa operação que recuperou 163 crianças. Nós também mandamos requerimentos para outras crianças que foram resgatadas em outros países, como no Camboja. Acionamos algumas ONGs internacionais que ajudam a lidar com essa questão de busca de pessoas desaparecidas no mundo inteiro”.

Consulado analisa possibilidade de identificação

De acordo com Nathaly, o consulado brasileiro já respondeu ao pedido feito pela defesa e o contato continua sendo mantido. Como envolve crianças em situação de vulnerabilidade, a advogada explica que a identificação precisa seguir protocolos específicos.

“Nós estamos aguardando o retorno do consulado brasileiro que foi muito hábil, nos respondeu em tempo recorde, estamos mantendo o contato. Como se trata de crianças em estado de vulnerabilidade, todo procedimento tem que seguir uma regra”.

A advogada também explicou por que decidiu procurar o consulado em vez de acionar novamente a Polícia Federal.

Segundo Nathaly, ela já havia solicitado anteriormente que o caso de Ágatha e Alan fosse transferido da Polícia Civil para a Polícia Federal. Entretanto, recebeu um parecer contrário ao pedido.

“As pessoas me perguntam por que não foi a Polícia Federal e sim ao consulado? Eu vou deixar aqui o parecer que a Polícia Federal me encaminhou quando eu solicitei o desvio de competência, saindo da Polícia Civil para a Polícia Federal. No parecer, a polícia federal dizia que não havia indícios de tráfico de pessoas ou de tráfico internacional no caso”.

Diante da resposta recebida, a advogada decidiu concentrar os esforços junto às autoridades brasileiras que estão nos Estados Unidos e que podem acompanhar diretamente a situação das crianças resgatadas.

“Por isso, eu resolvi não ir novamente a Polícia Federal, mas ir direto ao consulado que é quem está no local e pode intervir, fazer os procedimentos possíveis para que se forem as crianças, elas possam retornar com segurança e saúde. Estamos aguardando que na segunda-feira teremos o retorno do consulado”.

Sem confirmação sobre Alan Michael

Apesar da semelhança apontada nas redes sociais, até o momento não há qualquer confirmação de que o menino resgatado na Flórida seja Alan Michael.

A família continua aguardando o retorno das autoridades e os procedimentos necessários para verificar a identidade da criança.

Alan, de quatro anos, e Ágatha Isabelle, de seis, desapareceram em janeiro, em Bacabal, no Maranhão. O primo dos dois, Anderson Kauã, de oito anos, também desapareceu na ocasião, mas foi encontrado três dias depois.

Desde então, os irmãos continuam desaparecidos e nenhum vestígio físico dos dois foi localizado.

A família pede que o caso continue sendo divulgado e que qualquer informação que possa ajudar a localizar Ágatha e Alan seja repassada às autoridades. A identidade de quem fornecer informações pode ser mantida em sigilo.

Com informações do R7