Investigação da PF contra fraudes no setor de combustíveis atinge Cláudio Castro

Ex-governador do Rio teve casa revistada por agentes nesta sexta-feira.

Publicado em 15 de maio de 2026 às 07:54

Investigação da PF contra fraudes no setor de combustíveis atinge Cláudio Castro
Investigação da PF contra fraudes no setor de combustíveis atinge Cláudio Castro Crédito: Rogério Santana/Governo RJ

A Polícia Federal deflagrou, nas primeiras horas desta sexta-feira (15), uma das operações financeiras mais impactantes da história recente do país. Batizada de "Sem Refino", a ação mira um poderoso conglomerado do setor de combustíveis suspeito de montar uma complexa teia de empresas de fachada para esconder patrimônio, lavar dinheiro e enviar recursos ilegalmente para o exterior. O principal destaque da ofensiva é o bloqueio recorde de R$ 52 bilhões em ativos financeiros, determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir o ressarcimento de possíveis fraudes aos cofres públicos.

O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, é um dos alvos centrais da investigação. Viaturas da PF foram vistas em frente ao seu condomínio na Barra da Tijuca, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão. A operação não se limita ao território fluminense, estendendo-se também a endereços em São Paulo e no Distrito Federal. Ao todo, o STF autorizou 17 buscas e o afastamento de sete pessoas de suas funções públicas, evidenciando o alcance do esquema dentro da estrutura do Estado.

O volume de recursos travados pela Justiça chama a atenção pela magnitude. Segundo os investigadores, o grupo econômico operava uma refinaria com graves inconsistências fiscais e utilizava engenharia financeira para dissimular bens e enganar a fiscalização. A gravidade dos fatos levou à inclusão de um dos suspeitos na Difusão Vermelha da Interpol, o que significa que as autoridades brasileiras agora contam com ajuda internacional para localizar e prender foragidos ligados ao caso.

Tecnicamente, a Operação Sem Refino é um desdobramento de investigações que monitoram a relação entre organizações criminosas e o poder público no Rio de Janeiro. Com o suporte técnico da Receita Federal, os agentes conseguiram mapear como o dinheiro circulava pelo setor de combustíveis para ser ocultado fora do Brasil. Além do confisco dos bens, a Justiça determinou a suspensão imediata de todas as atividades econômicas das empresas envolvidas, paralisando o motor financeiro da suposta organização.

Para Cláudio Castro, a operação agrava uma crise que parecia ter estagnado com sua renúncia ao cargo de governador em março. Na época, Castro deixou o Palácio Guanabara tentando evitar a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que posteriormente o tornou inelegível por abuso de poder nas eleições de 2022.

Agora, enquanto o estado é gerido interinamente pelo desembargador Ricardo Couto, o ex-governador vê suas pretensões políticas para o Senado serem confrontadas por acusações de corrupção e crimes financeiros de escala bilionária.