Investigação revela que votos eram comprados com cocaína em Santa Catarina

Esquema descoberto no município de Timbé do Sul usava entorpecente apelidado de "moeda branca" no valor de R$ 50 para garantir apoio nas urnas a candidato a vereador.

Publicado em 6 de junho de 2026 às 10:33

Investigação revela que votos eram comprados com cocaína em Santa Catarina
Investigação revela que votos eram comprados com cocaína em Santa Catarina Crédito: Reprodução

Um esquema chocante de compra de votos operado por meio da distribuição de drogas foi desmantelado pela Polícia Civil de Santa Catarina. Uma investigação detalhada apontou que eleitores no município de Timbé do Sul, localizado no Sul catarinense, negociavam o direito ao voto em troca de porções de cocaína. Cada dose do entorpecente usada na barganha política era avaliada em R$ 50. O caso bizarro veio a público nesta quinta-feira (4), revelando uma conexão direta entre o tráfico de entorpecentes local e os bastidores de uma campanha para o legislativo municipal.

A engrenagem criminosa começou a vir à tona em um desdobramento que uniu duas frentes policiais distintas. Entre os anos de 2021 e 2022, as equipes de segurança já monitoravam o comércio de substâncias ilícitas na cidade quando efetuaram a prisão em flagrante de um suspeito. Foi a partir do recolhimento e da análise pericial feita no telefone celular desse indivíduo que os investigadores se depararam com um conteúdo surpreendente: diálogos explícitos que estruturavam a fraude nas urnas em benefício de um candidato a vereador.

Nas mensagens interceptadas, o operador do esquema solicitava que os eleitores enviassem imagens de seus títulos eleitorais para consolidar o acordo. Em contrapartida, o pagamento pelo apoio político recebia o codinome de "moeda branca", uma referência direta ao pó que substituía as cédulas de dinheiro tradicionais. Para fechar o cerco contra a organização, a polícia colheu depoimentos de cidadãos envolvidos, que confessaram ter entregado os dados de seus documentos e confirmado o recebimento das substâncias entorpecentes logo antes do pleito.

O cruzamento de dados e as conversas diretas entre o traficante e o político comprovaram que o candidato tinha total ciência da manobra e arquitetou a dinâmica para ser o beneficiário dos votos fraudados. Diante do robusto conjunto de provas materiais apresentado pelo trabalho de inteligência da Polícia Civil, o caso foi encaminhado para a Justiça Eleitoral, que reconheceu oficialmente a prática de corrupção e aplicou as devidas punições aos envolvidos. O nome do político que liderava as intenções do esquema não foi revelado pelas autoridades.