Publicado em 17 de janeiro de 2026 às 21:29
Uma mensagem sem remetente identificado, enviada ao endereço institucional da Polícia Federal, foi o ponto de partida para uma das investigações mais sensíveis já abertas contra o sistema financeiro brasileiro. O conteúdo, anexado em um arquivo com o título “Informações Banco Master”, despertou a atenção dos investigadores e acabou dando origem à operação Compliance Zero, que ganhou repercussão nacional ao atingir nomes de peso do mercado.>
A sequência de apurações foi detalhada em decisão assinada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. No documento, consta trecho de manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) que descreve como a denúncia anônima se transformou em um inquérito robusto, sustentado por diligências técnicas e cruzamento de dados.>
Segundo a PGR, após o recebimento do material, a Polícia Federal iniciou verificações preliminares que confirmaram a veracidade inicial das informações apresentadas. A partir disso, foi instaurado um inquérito policial, ampliando as investigações com novas análises documentais, consultas a bases de dados e checagem de informações externas.>
Os levantamentos revelaram indícios da existência de uma estrutura empresarial e financeira complexa, formada por relações articuladas entre pessoas físicas e jurídicas. De acordo com o relatório, há suspeitas da prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, incluindo gestão fraudulenta, indução de investidores ao erro, uso indevido de informações privilegiadas e manipulação do mercado de capitais.>
As apurações também apontam possíveis esquemas de lavagem de dinheiro e atuação coordenada que pode caracterizar organização criminosa. Conforme descrito pela Procuradoria, um dos focos da investigação é o uso de fundos de investimento para movimentar ativos com baixa liquidez, cujos valores teriam sido artificialmente inflados por meio de operações repetidas entre partes relacionadas.>
Ainda segundo a PGR, os investigadores identificaram o aproveitamento de fragilidades nos mecanismos de regulação e fiscalização do mercado financeiro, com operações realizadas entre empresas e pessoas conectadas por laços societários, familiares ou funcionais, o que reforçou a suspeita de irregularidades sistêmicas.>
Com base nesse conjunto de elementos, o STF autorizou a deflagração da operação de busca e apreensão realizada na última quarta-feira (14), marcando um novo capítulo em uma investigação que segue em andamento e pode ter desdobramentos relevantes para o setor financeiro brasileiro.>