Investigado no Caso do Banco Master atira dinheiro pela janela ao ver agentes da PF

PF mira suspeitas na gestão da RioPrevidência, cumpre mandados em Santa Catarina e tenta rastrear quase R$ 1 bilhão investido em banco liquidado pelo BC.

Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 12:03

Investigado no Caso do Banco Master atira dinheiro pela janela ao ver agentes da PF
Investigado no Caso do Banco Master atira dinheiro pela janela ao ver agentes da PF Crédito: Reprodução/Redes sociais

A terceira fase da Operação Barco de Papel ganhou contornos cinematográficos na manhã desta quarta-feira (11), quando agentes da Polícia Federal flagraram um dos ocupantes de um apartamento, em Balneário Camboriú (SC), arremessando pela janela uma mala recheada de dinheiro em espécie. O material foi recuperado imediatamente pelos policiais, que também apreenderam veículos de luxo e aparelhos celulares no local.

A ofensiva, autorizada pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, cumpriu dois mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, nas cidades de Balneário Camboriú e Itapema, com apoio da Delegacia da PF em Itajaí. Segundo a corporação, há indícios de tentativa de obstrução das investigações e ocultação de provas.

No centro da apuração está a gestão de recursos da RioPrevidência, fundo responsável pela aposentadoria dos servidores estaduais do Rio de Janeiro. A investigação aponta possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional relacionados à aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição que acabou submetida à liquidação extrajudicial pelo Banco Central.

Os aportes, realizados entre novembro de 2023 e julho de 2024, passaram a ser alvo de questionamentos após o colapso da instituição financeira. A Polícia Federal busca esclarecer se houve irregularidades nas decisões de investimento e se gestores ou terceiros teriam se beneficiado das operações.

Esta fase dá continuidade a diligências anteriores, que já haviam resultado, inclusive, na prisão do ex-presidente do fundo previdenciário. Agora, o foco é aprofundar a coleta de provas e tentar recuperar bens e valores que, de acordo com os investigadores, podem ter sido retirados de imóveis já vistoriados em etapas anteriores.

A apreensão da quantia em dinheiro, jogada pela janela no momento da chegada dos agentes, reforça a suspeita de tentativa de dificultar o trabalho policial. Os dois smartphones recolhidos passarão por perícia, assim como os veículos, que podem auxiliar na identificação de movimentações financeiras e eventuais conexões entre os envolvidos.

A Operação Barco de Papel ocorre em um cenário de crescente fiscalização sobre a aplicação de recursos públicos, especialmente aqueles destinados a fundos previdenciários. O desfecho das investigações pode provocar revisões nos critérios de investimento adotados por entidades estaduais e ampliar o debate sobre governança, transparência e controle na administração de bilhões de reais destinados ao pagamento de aposentadorias.