Publicado em 13 de maio de 2026 às 09:12
A deputada estadual Alessandra Campelo afirmou ter reforçado sua segurança pessoal após denunciar, na tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), supostas ameaças feitas pelo treinador de jiu-jítsu Melqui Galvão contra uma das vítimas, mesmo estando preso.>
Investigado por suspeita de abusos sexuais contra adolescentes, Melqui teve o nome envolvido em um caso que ganhou repercussão nacional e internacional após denúncias de ex-alunas virem à tona no fim de abril.>
Durante o pronunciamento realizado nesta terça-feira (12), Alessandra Campelo afirmou que os relatos de abuso envolvendo o treinador atingem diretamente a credibilidade do jiu-jítsu amazonense.>
“Melqui Galvão foi preso por abusar de uma adolescente. Várias vítimas apareceram depois da denúncia e continuam aparecendo”, declarou a parlamentar.>
Segundo a deputada, o investigado teria conseguido acesso ilegal a um aparelho celular dentro da unidade prisional e usado o equipamento para intimidar uma das vítimas por chamada de vídeo. Alessandra afirmou ter exibido o conteúdo durante a sessão na Aleam.>
“Ele está ameaçando uma vítima para evitar novas denúncias e coagindo pessoas a mudarem depoimentos. Mesmo preso, continua ameaçando vítimas”, denunciou. Veja o vídeo:>
A parlamentar também criticou a segurança da carceragem e apontou possível conivência de agentes públicos no caso.>
“Como um preso consegue acesso a celular dentro da prisão? Porque existe vagabundo protegendo vagabundo”, afirmou.>
Durante o discurso, Alessandra Campelo citou o policial civil Enoque Galvão, irmão do investigado, e afirmou que ele teria facilitado o acesso do treinador à carceragem.>
“Sabe quem abriu a carceragem para esse abusador ameaçar vítimas? O próprio irmão dele, que também é policial”, declarou.>
A deputada ainda rebateu críticas sobre a demora das vítimas em denunciar os supostos abusos e destacou o medo enfrentado por quem decide procurar as autoridades.>
“Quando um abusador consegue ajuda até dentro da prisão para ameaçar vítimas, como essas pessoas vão encontrar coragem para denunciar?”, questionou.>
Ao final do pronunciamento, Alessandra confirmou que aceitou reforço policial após relatar temor pela própria segurança.>
“Vou aceitar o reforço na minha segurança. Realmente temo pela minha integridade”, concluiu.>
Polícia Civil investiga entrada irregular de celular em unidade prisional>
Em nota, a Polícia Civil do Estado do Amazonas informou que instaurou procedimentos administrativos para apurar a entrada irregular de um celular na unidade de custódia onde Melqui Galvão estava detido.>
Segundo a corporação, inspeções foram realizadas nos dias 2 e 4 de maio, esta última acompanhada pelo Ministério Público. A investigação identificou indícios de participação de Enoque Galvão na facilitação da entrada de uma pessoa não autorizada no local.>
O servidor foi afastado das funções operacionais e deverá responder a procedimentos disciplinares conduzidos pela Corregedoria-Geral da PC-AM.>
A polícia também confirmou que Melqui Galvão foi transferido para São Paulo no último dia 7 de maio, em operação conjunta entre as polícias civis do Amazonas e de São Paulo.>
Caso ganhou repercussão internacional após denúncias de ex-alunas>
Melqui Galvão foi preso no dia 28 de abril, em Manaus, por determinação da 8ª Delegacia de Defesa da Mulher de São Paulo, responsável pela investigação de ao menos três denúncias de abuso sexual envolvendo adolescentes.>
O caso teve grande repercussão após uma ex-aluna de 17 anos afirmar ter sido abusada sem consentimento durante uma competição internacional. Atualmente nos Estados Unidos, a jovem prestou depoimento acompanhada da família.>
Durante as investigações, outras duas possíveis vítimas foram identificadas em diferentes estados. Em um dos relatos, a denunciante afirmou ter apenas 12 anos na época dos fatos.>
Conhecido no cenário esportivo por ser pai de Mica Galvão, destaque da nova geração do jiu-jítsu brasileiro e campeão mundial da modalidade, Melqui também atuava como policial civil no Amazonas, lotado no setor de capacitação da corporação.>
Após a repercussão do caso, a Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu e a International Brazilian Jiu-Jitsu Federation anunciaram o banimento definitivo do treinador. Em nota, as entidades classificaram as denúncias como incompatíveis com os princípios éticos defendidos pelo esporte.>