Publicado em 25 de maio de 2026 às 14:37
Nesta sexta-feira (22), o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, exonerou a oficial de chancelaria Flávia Medeiros após ela ser reprovada pela banca de heteroidentificação responsável por confirmar características fenotípicas de candidatos pretos e pardos em concursos públicos. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União na última semana.>
Flávia havia sido aprovada no concurso para oficial de chancelaria depois de realizar as provas em dezembro de 2023. Segundo edital do certame, a candidatura dela foi indeferida pela banca em março de 2024. A ex-servidora afirmou que cerca de outros 15 candidatos também tiveram a classificação negada.>
Após a reprovação na etapa de heteroidentificação, Flávia entrou com um processo judicial para contestar a decisão. Ela informou que, naquele momento, ainda não sabia se seria convocada para o curso de formação exigido para assumir o cargo.>
Além de recorrer administrativamente ao Cebraspe, organizador do concurso, ela também acionou a Justiça Federal. A decisão judicial permitiu que Flávia seguisse nas demais etapas do processo seletivo, incluindo nomeação e posse, segundo a defesa da candidata.>
A Advocacia-Geral da União, no entanto, recorreu da decisão. Para a AGU, a autorização judicial não garantia a posse definitiva até que o mérito do processo fosse analisado pela Justiça.>
Flávia relatou que se prepara há mais de dez anos para concursos do Itamaraty e há quatro anos tenta ingressar nas carreiras diplomáticas. Ela também afirmou que assinou contrato de aluguel de três anos em Brasília após tomar posse no cargo.>
“Não vim de berço de ouro, sou a típica pessoa que se beneficiou de políticas públicas. Já será difícil esperar decisão do colegiado, imagina se tiver que esperar julgamento do mérito”, declarou.>
Ela também comparou sua trajetória à de candidatos de famílias mais privilegiadas. “Tenho amigos brancos de famílias privilegiadas que tiveram todos os recursos para conseguir acessar a diplomacia e demorou uma década. Se para eles demorou uma década, imagina para mim, que não tive acesso a uma formação intelectual”, acrescentou.>
Até o momento, não houve manifestação do Itamaraty nem do Sinditamaraty, sindicato que representa os servidores do órgão.>