Itamaraty vê risco de ação militar dos EUA no Brasil após rotular PCC e CV como grupos terroristas

Documento enviado à Câmara pelo chanceler Mauro Vieira alerta para perigos à soberania nacional e punições extraterritoriais após medida norte-americana.

Publicado em 6 de julho de 2026 às 18:00

Chanceler Mauro Vieira.
Chanceler Mauro Vieira. Crédito: Mateus Oliveira/MRE

O Ministério das Relações Exteriores alertou formalmente a Câmara dos Deputados sobre a possibilidade de os Estados Unidos utilizarem força militar em território brasileiro. Segundo o chanceler Mauro Vieira, essa preocupação surgiu após o governo norte-americano classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. O comunicado oficial destaca que o risco de uma intervenção é mencionado em dois momentos distintos do texto e representa uma ameaça direta à soberania do país.

Vieira argumenta que a designação unilateral serve como justificativa para que autoridades dos Estados Unidos apliquem medidas judiciais e administrativas de caráter extraterritorial. Isso implica que cidadãos, empresas e organizações brasileiras poderiam sofrer sanções financeiras, penais ou migratórias severas, mesmo que possuam apenas ligações indiretas ou involuntárias com os grupos citados.

O Itamaraty critica a falta de comunicação formal prévia sobre a medida e reforça que a legislação de contraterrorismo americana possui termos muito amplos, o que permite um alto grau de discricionariedade nas punições.

A tensão diplomática aumentou após a primeira rodada de sanções econômicas do governo de Donald Trump, que já resultou no bloqueio de bens de brasileiros e empresas suspeitas de envolvimento com o PCC na última semana. Para o governo brasileiro, a rotulação das facções criminosas como grupos terroristas não traz benefícios práticos ao combate ao crime e serve apenas para embasar intervenções unilaterais.

O chanceler reiterou que o Brasil tem expressado sua oposição à medida, buscando proteger as instituições e a população nacional de possíveis abusos decorrentes dessa nova classificação internacional.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.