Publicado em 6 de março de 2026 às 14:38
Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro indicam que ele manteve contato com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, no dia 17 de novembro de 2025, horas antes de ser preso pela primeira vez. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (6) pelo blog da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo.>
Segundo a reportagem, Vorcaro enviou mensagens ao ministro por WhatsApp na manhã daquele dia. Parte do conteúdo aparece em links que direcionam para o bloco de notas do celular do empresário. Em um dos textos, ele afirma que tentava antecipar a assinatura de investidores e menciona preocupação com possíveis vazamentos envolvendo negociações.>
Moraes teria respondido algumas das mensagens, mas o conteúdo não pôde ser visualizado porque foi enviado no formato de “visualização única”, que desaparece após ser aberto.>
Ao longo do dia, Vorcaro voltou a enviar novas mensagens perguntando se havia “alguma novidade” e relatando que tentava “salvar” uma transação envolvendo investidores. Pouco depois dessas conversas, a Fictor Holding Financeira anunciou a compra do Banco Master, operação que acabou não se concretizando.>
Na noite do mesmo dia, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos, suspeito de tentar deixar o país em um avião particular com destino a Malta.>
De acordo com a reportagem, o nome de Moraes também aparece em outras conversas extraídas do celular do banqueiro, incluindo diálogos com a então namorada, a blogueira Martha Graeff, nos quais ele menciona encontros com o ministro em 2025.>
Após a divulgação das primeiras mensagens, o STF informou em nota que Alexandre de Moraes não recebeu os conteúdos e classificou como “ilação mentirosa” as interpretações que tentam associar o ministro ao caso.>
A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que ainda não teve acesso completo ao material extraído dos celulares e criticou o vazamento das informações. Os advogados pediram ao STF a abertura de um inquérito para investigar a origem da divulgação de dados sigilosos e identificar quem teve acesso ao conteúdo apreendido pela Polícia Federal.>
O caso ocorre no contexto da crise que levou à liquidação do Banco Master pelo Banco Central em novembro de 2025, após a instituição apresentar alto risco de insolvência e problemas em operações financeiras.>