Publicado em 20 de agosto de 2026 às 09:48
A discussão sobre a necessidade de ensino superior para o exercício do jornalismo ganhou novo fôlego no país após manifestações de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Alexandre de Moraes e Flávio Dino, que revisitaram o impacto da decisão da Corte que derrubou a exigência acadêmica em 2009. No centro desse debate, o jornalista e docente Leonardo Sakamoto defendeu abertamente a não obrigatoriedade do diploma para a área, sustentando que a essência da profissão está no cumprimento diário de diretrizes morais e legais perante a sociedade.>
"Eu sempre fui contra a obrigatoriedade do diploma para jornalista. Eu acho saudável o debate que foi levantado pelo Alexandre de Moraes e pelo Flávio Dino. Esse tema é um tema que não é simples e por isso ele pode ser revisitado, sim, e aí os argumentos têm que ser colocados em cima da mesa", declarou Sakamoto.>
Apesar de lecionar no ensino superior há mais de duas décadas, o analista reforça que o ambiente acadêmico serve para reflexão e aprendizado, mas não deve ser um filtro compulsório. "Eu discordo da obrigatoriedade, sou professor de jornalismo há 26 anos. Defendo a importância da faculdade de jornalismo como local de difusão e de reflexão dos saberes. Mas o estudo e a reflexão sobre a nossa profissão apontam que não é a prática jornalística que faz o jornalista, mas é o exercício da ética cotidiana", ponderou.>
Sakamoto enfatizou que ser jornalista exige mais do que dominar rotinas de redação e rechaçou a ideia de que qualquer pessoa possa pleitear garantias da categoria apenas se dizendo profissional. "Eu também sou contra conceder prerrogativa de jornalista por autodeclaração. Não é porque alguém se declara jornalista que é jornalista de fato. Não é a nossa capacidade de seguir um punhado de técnicas, mas obedecer uma série de regras, direitos e deveres que nos faz jornalista: saber os limites, atuar de forma ética e se responsabilizar legalmente por isso", concluiu.>
A regra da obrigatoriedade do diploma para a emissão do registro profissional no Brasil caiu em junho de 2009, quando o STF entendeu, no julgamento do Recurso Extraordinário 511.961, que a exigência violava as garantias constitucionais de liberdade de expressão e de informação. Desde a decisão, a regulamentação do setor segue em permanente disputa, dividindo opiniões entre sindicato da categoria, universidades e grandes veículos de comunicação.>