Juiz de MG afastado por beber e fumar em sessão continuará recebendo R$ 83,5 mil

Magistrado Milton Lívio Lemos Salles foi flagrado com garrafa de vinho e maçarico durante julgamento virtual.

Publicado em 12 de agosto de 2026 às 14:42

Juiz Milton Lívio Lemos Salles, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG
Juiz Milton Lívio Lemos Salles, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG Crédito: Reprodução/Redes Sociais

O juiz Milton Lívio Lemos Salles, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), foi afastado de suas funções nesta terça-feira (11) após ser flagrado bebendo vinho e fumando durante uma sessão virtual de julgamento. Apesar do afastamento determinado pela Corregedoria-Geral de Justiça de Minas Gerais e pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o magistrado continuará recebendo seu salário líquido, que em junho de 2026 foi de R$ 83.583,55.

As imagens que motivaram a decisão mostram o juiz virando uma garrafa de vinho e utilizando um maçarico para acender um cigarro enquanto participava da sessão. Com a punição preventiva, Salles está proibido de acessar as instalações do tribunal para fins funcionais e de utilizar veículos oficiais. Os processos que estavam sob sua responsabilidade no 4º Núcleo de Justiça 4.0 Cível Família e na 4ª Vara Criminal de Belo Horizonte serão redistribuídos.

De acordo com o TJMG, a manutenção do pagamento durante a investigação segue a Resolução nº 135/2011 do CNJ, que estabelece que magistrados afastados preventivamente devem continuar recebendo seus vencimentos até a conclusão do processo administrativo disciplinar (PAD). O tribunal informou que o procedimento é sigiloso e não há um prazo definido para o encerramento das apurações.

Esta não é a primeira vez que o magistrado enfrenta problemas disciplinares. Em 2020, Milton Lívio foi alvo de um processo após comparecer ao prédio de uma desembargadora com sinais de embriaguez para questionar uma nota em um processo de promoção. Aquele caso foi concluído em 2022 com a aplicação de uma pena de advertência.

Agora, o novo procedimento poderá resultar em penalidades que variam desde uma nova advertência até a perda do cargo ou a disponibilidade remunerada, na qual o juiz permanece afastado por até dois anos mantendo parte dos vencimentos. Até o momento, a defesa do magistrado não foi localizada para comentar a decisão.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.