Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 11:06
O Tribunal do Júri da Capital concluiu, na madrugada deste sábado (07), mais um capítulo do julgamento da Chacina de Poção, caso que chocou Pernambuco pela execução de três conselheiros tutelares e de uma idosa, em 2015. Dois réus considerados peças centrais na engrenagem do crime foram condenados após um julgamento que se estendeu por quatro dias consecutivos.>
Apontada pelo Ministério Público como mandante da chacina, Bernadete de Lourdes Britto Siqueira Rocha recebeu pena de 142 anos, cinco meses e 16 dias de reclusão. Já José Vicente Pereira Cardoso da Silva, ex-diretor da Penitenciária de Arcoverde e descrito nos autos como um dos articuladores da ação criminosa, foi condenado a 67 anos, três meses e oito dias de prisão. Por ter mais de 70 anos, a pena dele foi reduzida conforme prevê a legislação, e a defesa apresentou recurso ainda em plenário.>
O julgamento ocorreu na 4ª Vara do Tribunal do Júri do Recife e reuniu depoimentos de testemunhas, interrogatórios dos réus e manifestações finais da acusação e da defesa. A decisão coube a um Conselho de Sentença formado por seis mulheres e um homem, que analisou as provas reunidas ao longo do processo.>
Crime planejado para disputa de guarda>
De acordo com a denúncia, a chacina teve motivação familiar e foi arquitetada para eliminar a família materna de uma criança, para garantir a guarda da menina. O ataque aconteceu em 6 de fevereiro de 2015, no Sítio Cafundó, zona rural do município de Poção, no Agreste pernambucano.>
Na ocasião, um grupo de extermínio armou uma emboscada e interceptou o veículo do Conselho Tutelar. Cinco disparos atingiram o carro e mataram José Daniel Farias Monteiro, Lindenberg Nóbrega de Vasconcelos e Carmem Lúcia da Silva, além de Ana Rita Venâncio, avó materna da criança. A única sobrevivente foi Ana Cláudia, que tinha apenas três anos na época.>
Segundo o Ministério Público, Bernadete teria encomendado o crime e contratado os executores para assegurar a retirada definitiva da família materna do convívio da criança. Ao todo, oito pessoas foram denunciadas por envolvimento na chacina.>
Sessões longas e decisão na madrugada>
Os trabalhos do júri começaram na quarta-feira (04), com a leitura da denúncia e o depoimento do delegado Erick Lessa, responsável pelas investigações. Nos dias seguintes, testemunhas de defesa foram ouvidas por videoconferência, réus foram interrogados e as partes apresentaram suas teses.>
Na sexta-feira (06), acusação e defesa tiveram duas horas e meia cada para as alegações finais, seguidas de réplica e tréplica. A deliberação dos jurados ocorreu já na madrugada do sábado, quando a juíza Maria Segunda Gomes fez a leitura da sentença e a dosimetria das penas em plenário.>
Outros condenados>
O caso já havia resultado em outras condenações. Em dezembro de 2025, Egon Augusto Nunes de Oliveira e Orivaldo Godê de Oliveira foram sentenciados a 101 anos e quatro meses de prisão cada um. Ednaldo Afonso da Silva recebeu 12 anos e seis meses por um dos homicídios, sendo absolvido dos demais.>
Já em fevereiro de 2024, Wellington Silvestre dos Santos foi condenado a 74 anos e oito meses de reclusão pelas quatro mortes. O julgamento de Leandro José da Silva, que ocorreria com os réus condenados agora, foi adiado a pedido da defesa e ainda aguarda nova data.>
Considerada uma das maiores chacinas da história recente de Pernambuco, o caso segue marcando o Judiciário estadual pelo tempo de tramitação, pela complexidade do crime e pela severidade das penas aplicadas.>