Justiça afasta médicos após pacientes perderem a visão em mutirão de catarata

Pelo menos 11 pessoas precisaram remover o conteúdo do olho após cirurgias em clínica de Salvador; polícia investiga lesão corporal e falhas sanitárias

Publicado em 22 de maio de 2026 às 15:55

Pelo menos 11 pessoas precisaram remover o conteúdo do olho após cirurgias em clínica de Salvador; polícia investiga lesão corporal e falhas sanitárias
Pelo menos 11 pessoas precisaram remover o conteúdo do olho após cirurgias em clínica de Salvador; polícia investiga lesão corporal e falhas sanitárias Crédito: Redes Sociais

Nesta quarta feira (20), a Justiça da Bahia determinou o afastamento de três médicos investigados por graves irregularidades em um mutirão de cirurgias de catarata realizado em Salvador. O procedimento, que aconteceu em fevereiro deste ano, deixou sequelas irreversíveis em dezenas de pacientes idosos. Ao menos 11 pessoas precisaram passar por uma cirurgia de evisceração ocular, que consiste na retirada do conteúdo interno do olho.

Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil, dos 138 idosos atendidos no mutirão, pelo menos 33 apresentaram complicações severas de saúde, incluindo a perda total ou parcial da visão. Até o momento, as autoridades já registraram dezenas de denúncias por lesão corporal culposa, além de apurarem crimes de colocar a vida ou a saúde de terceiros em risco e infração de medidas sanitárias preventivas.

A ordem de afastamento dos profissionais foi emitida pela 1ª Vara das Garantias de Salvador com o objetivo de proteger as provas e garantir o avanço do inquérito. Durante a operação policial na clínica, foram apreendidos computadores, prontuários, receitas, notas fiscais e livros de registros de esterilização de materiais cirúrgicos. Todo o material foi encaminhado para perícia no Departamento de Polícia Técnica.

A Secretaria Municipal da Saúde informou que a clínica Clivan, onde os procedimentos foram realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), está interditada e teve seu contrato suspenso com a prefeitura desde o surgimento das denúncias. O órgão também esclareceu que não havia autorizado a realização daquele mutirão, apontando que a execução de cirurgias sem o aval prévio do gestor do SUS descumpre regras contratuais e representa uma irregularidade administrativa grave.