Justiça condena a 16 anos de prisão passageiro que matou motorista de ônibus na Zona Leste de SP

Tribunal do Júri considerou disparo na cabeça de Gabriel Moraes da Silva como homicídio qualificado por motivo fútil.

Publicado em 5 de agosto de 2026 às 09:56

Justiça condena a 16 anos de prisão passageiro que matou motorista de ônibus na Zona Leste de SP
Justiça condena a 16 anos de prisão passageiro que matou motorista de ônibus na Zona Leste de SP Crédito: Reprodução/Redes sociais

A Justiça de São Paulo deu uma resposta definitiva a um dos episódios mais revoltantes de violência no transporte público da capital. Em julgamento concluído nesta terça feira (4), o Tribunal do Júri condenou o passageiro Luis Gonzaga Estevam Barbosa a uma pena de 16 anos e 11 meses de reclusão. O réu foi responsabilizado pelo assassinato do motorista de ônibus Gabriel Moraes da Silva, atingido com um tiro na cabeça após cumprir as regras do itinerário e se recusar a desembarcar o passageiro fora do ponto regulamentado.

Na sentença proferida pelos jurados, a conduta de Luis Gonzaga foi tipificada como homicídio qualificado. O júri reconheceu que o ataque foi motivado por razão fútil e praticado mediante recurso que inviabilizou qualquer chance de reação por parte do trabalhador. Além disso, a decisão judicial destacou que a atitude impensada colocou em perigo direto a vida de outros passageiros que estavam a bordo, já que o disparo fez o motorista perder o controle do coletivo da linha 2007/10 (Itaim Paulista/Cidade Kemel II) e colidir violentamente contra a fachada de uma casa na rua Visconde de Aljezur, na Vila Jurema, zona leste paulistana.

O crime ocorreu em julho de 2024 e gerou comoção imediata. Logo após ser atingido na cabine do veículo, Gabriel chegou a ser resgatado por equipes do Corpo de Bombeiros e transportado em estado grave para o Hospital Santa Marcelina do Itaim Paulista, mas não resistiu à gravidade do ferimento na cabeça. Testemunhas ouvidas pela Polícia Militar confirmaram que uma discussão banal sobre o local do desembarque antecedeu o disparo fatal. A caçada ao agressor terminou cinco dias depois, quando ele foi localizado e preso em flagrante portando uma arma de fogo.

Na ocasião da tragédia, a SPTrans emitiu uma nota oficial repudiando veementemente o ato de violência contra o operador e colocando suas equipes à disposição dos investigadores para auxiliar na elucidação dos fatos. Com a decisão proferida nesta semana pelo Poder Judiciário, o autor do crime dará início ao cumprimento da pena em regime fechado, encerrando o capítulo judicial dessa perda trágica na zona leste da capital.