Justiça francesa condena Airbus e Air France por tragédia do voo Rio-Paris em 2009

Tribunal de apelação reverte absolvição anterior e considera empresas culpadas por homicídio culposo; decisão impõe multa máxima após 17 anos de disputa judicial.

Publicado em 21 de maio de 2026 às 15:27

Acidente do voo AF447 em 2009.
Acidente do voo AF447 em 2009. Crédito: Divulgação/FAB

A Justiça da França considerou, nesta quinta-feira (21), as empresas Airbus e Air France culpadas por homicídio culposo devido ao acidente do voo AF447. A tragédia, ocorrida em 1º de junho de 2009, causou a morte de 228 pessoas de 33 nacionalidades após a aeronave cair no Oceano Atlântico enquanto fazia a rota entre o Rio de Janeiro e Paris.

A nova sentença declara as duas companhias como as "únicas responsáveis" pelo pior desastre aéreo da história da França, revertendo uma absolvição proferida por um tribunal de instância inferior em 2023. Na ocasião anterior, magistrados haviam entendido que, apesar de imprudências detectadas, não havia um nexo causal comprovado para o acidente. Com a nova decisão, foi aplicada a multa máxima de 225 mil euros (cerca de R$ 1,3 milhão) para cada empresa.

As investigações apontaram que o acidente foi desencadeado pelo congelamento das sondas Pitot (sensores de velocidade) em uma zona de forte instabilidade climática. De acordo com o Ministério Público francês, as falhas das empresas contribuíram decisivamente para a queda:

Airbus: Foi acusada de subestimar a gravidade dos defeitos nas sondas e de não alertar as companhias aéreas com a agilidade necessária.

Air France: Foi condenada por não fornecer treinamento adequado aos seus pilotos para lidar com o congelamento dos sensores e por falhas na comunicação de riscos às tripulações.

Para os familiares das vítimas, as multas possuem caráter simbólico, mas a condenação é vista como um reconhecimento oficial do sofrimento enfrentado ao longo dos últimos 17 anos. O promotor do caso ressaltou que a sentença serve como uma "advertência" e lança descrédito sobre as gigantes da aviação.

Apesar da condenação, o embate jurídico pode não ter terminado. A Air France já manifestou que recorrerá à Suprema Corte da França, o que pode estender o processo por mais alguns anos.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.