Começa nesta segunda a maior operação de ressarcimento bancário do país

Mais de 369 mil solicitações já foram registradas e cerca de 150 mil credores entram na fase de pagamento após a liquidação da instituição financeira.

Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 08:39

 - Atualizado há uma hora

Liquidação do Banco Master aciona maior operação de ressarcimento já feita pelo FGC
Liquidação do Banco Master aciona maior operação de ressarcimento já feita pelo FGC Crédito: Reprodução

O processo de devolução dos recursos aplicados no Banco Master começou a ganhar forma neste fim de semana. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) informou que já recebeu aproximadamente 369 mil pedidos de ressarcimento de investidores que adquiriram Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pela instituição, liquidada pelo Banco Central no fim de 2025. Deste total, cerca de 150 mil solicitações foram concluídas e seguem para pagamento a partir desta segunda-feira (19).

O prazo para registro dos pedidos foi aberto no sábado (17). Pessoas físicas devem realizar todo o procedimento por meio do aplicativo oficial do FGC, enquanto empresas precisam acessar o site da entidade. Os valores cobertos pela garantia são pagos em parcela única, respeitando o limite de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, já incluídos os rendimentos acumulados até a data da liquidação.

Segundo o fundo, o número de credores efetivamente amparados ficou abaixo da estimativa inicial. A projeção era de 1,6 milhão de investidores, mas o volume real gira em torno de 800 mil. Com isso, o montante total a ser desembolsado em garantias foi revisado para R$ 40,6 bilhões, ligeiramente inferior à previsão anterior. O FGC afirma possuir liquidez suficiente para honrar os pagamentos, com caixa estimado em R$ 125 bilhões.

Após instabilidades registradas no primeiro dia de funcionamento, o aplicativo passou a operar normalmente. De acordo com o fundo, o sistema processa cerca de 9 mil pedidos por hora, o equivalente a 2,5 solicitações por segundo, embora picos simultâneos de acesso ainda possam provocar lentidão pontual.

Diante da dimensão da operação, considerada a maior da história do FGC, o órgão reforçou alerta sobre tentativas de golpe. A entidade esclarece que não cobra taxas, não antecipa valores e não utiliza intermediários para o pagamento das garantias. Contatos por WhatsApp ou SMS não fazem parte dos canais oficiais.

A cobertura do fundo alcança aplicações como CDBs, RDBs, LCIs e LCAs, sempre dentro do teto legal. Investimentos fora desse escopo, como debêntures, CRIs, CRAs, fundos e outros títulos sem garantia, não têm indenização automática e entram integralmente no processo de liquidação conduzido pelo Banco Central.

O Banco Master teve a liquidação decretada em 18 de dezembro de 2025, após enfrentar uma grave crise de liquidez. A instituição já vinha sendo observada pelo mercado devido à captação de recursos a custos elevados e à oferta de produtos com remuneração muito acima da média, especialmente CDBs. Tentativas de venda não avançaram, em meio a questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência e citações do banco em investigações.

Com o início dos pagamentos, o foco agora se volta à execução do cronograma de ressarcimentos e ao impacto do caso sobre a confiança de investidores no sistema financeiro.