Lito Sousa deixa hospital e inicia cuidados paliativos em casa contra doença rara

Criador de conteúdo de 59 anos mantém busca por terapias experimentais enquanto recebe suporte domiciliar contínuo de 24 horas

Publicado em 3 de setembro de 2026 às 16:04

Lito Sousa, de 59 anos, recebeu alta do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.
Lito Sousa, de 59 anos, recebeu alta do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Crédito: Reprodução/Redes Sociais

O influenciador digital e criador de conteúdo Lito Sousa, de 59 anos, recebeu alta do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, após permanecer internado por mais de 20 dias. Na última terça-feira (1), ele passou a receber cuidados paliativos em sua residência, onde o andar térreo foi totalmente reorganizado para reproduzir a estrutura de uma internação hospitalar, dispondo de equipamentos médicos, rotina de suporte contínuo e acompanhamento de enfermeiros em turnos que cobrem as 24 horas do dia.

Lito foi diagnosticado com Creutzfeldt-Jakob, uma doença neurológica grave, extremamente rara e que não possui cura. A enfermidade é provocada por proteínas anormais chamadas príons, partículas que se multiplicam no cérebro e destroem os neurônios de forma progressiva. Essa toxicidade compromete também a glia, que é o tecido de sustentação das células cerebrais, deixando no órgão um padrão de pequenos buracos que caracteriza a classificação espongiforme. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou 547 casos confirmados da doença entre os anos de 2005 e 2021.

Os primeiros sintomas da condição costumam ser falhas de memória, tremores e mudanças comportamentais, que evoluem rapidamente para o comprometimento dos movimentos corporais. A literatura médica aponta que a progressão da doença é veloz, com a maioria dos pacientes vivendo de seis meses a um ano após as primeiras manifestações. Apesar de o diagnóstico não possuir terapias capazes de reverter ou frear o seu curso, a transição para a abordagem paliativa não representa o encerramento do tratamento. A família do influenciador segue ativamente em busca de alternativas e tenta incluí-lo em estudos experimentais, contando com o apoio do Ministério da Saúde, que já solicitou a inclusão de Lito em uma pesquisa experimental em andamento nos Estados Unidos.

Especialistas explicam que o acompanhamento paliativo não é sinônimo de desistência ou de fase terminal. Trata-se de uma abordagem médica simultânea voltada para o alívio do sofrimento provocado por doenças graves, atuando no controle rigoroso de sintomas físicos, como dor, falta de ar, fadiga e insônia, em paralelo às terapias habituais. No entanto, a resistência à indicação do modelo ainda se deve a barreiras conceituais, visto que o termo "paliativo" continua associado ao fim da vida, o que posterga o encaminhamento médico e reduz o tempo para que a equipe de saúde crie o vínculo afetivo necessário com o paciente. Em maio de 2024, o governo federal instituiu a Política Nacional de Cuidados Paliativos no SUS, mas o serviço ainda se concentra de forma desigual na Região Sudeste e enfrenta a falta de formação obrigatória na área nos cursos de medicina e enfermagem.

Com informações do g1.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.