Publicado em 10 de março de 2026 às 18:45
O Grupo Pão de Açúcar (GPA) anunciou recentemente a entrada em um plano de recuperação extrajudicial para renegociar uma dívida que soma aproximadamente R$ 4,5 bilhões. Embora a administração da companhia negue oficialmente a intenção de fechar unidades ou demitir funcionários, o cenário de crise levanta incertezas sobre a manutenção integral de seu parque de mais de 700 lojas.>
A dívida de R$ 4,5 bilhões refere-se a obrigações financeiras sem garantia, que não incluem dívidas operacionais com fornecedores, parceiros ou funcionários. A crise financeira que levou a este montante bilionário é atribuída a retração no consumo das famílias, taxas de juros elevadas, custos operacionais elevados, quitação de passivos e manutenção de unidades deficitárias.>
No último trimestre de 2025, o grupo registrou um prejuízo líquido de R$ 572 milhões, admitindo que existem dúvidas sobre a "continuidade operacional da companhia" a longo prazo caso não volte a gerar caixa.>
Oficialmente, o GPA afirma que o processo foi estruturado para preservar as operações e que as lojas devem seguir funcionando normalmente. Contudo, o presidente da empresa, Alexandre Santoro, revelou que entre 20% e 25% das lojas possuem performance abaixo do esperado.>
A recuperação extrajudicial foca em conseguir prazos mais longos e melhores condições de pagamento com os credores financeiros. O plano já conta com o apoio de credores que detêm 46% da dívida (cerca de R$ 2,1 bilhões).>
A nova estrutura de poder, agora liderada pela família mineira Coelho Diniz, que se tornou a maior acionista com 24,6% das ações, deve ser determinante para os próximos passos estratégicos e para a tentativa de reverter os prejuízos acumulados nos últimos anos.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Cássio Leal.>