Lula aconselhou Vorcaro sobre venda do Banco Master por valor simbólico

Mensagens em posse da Polícia Federal mostram que o presidente aconselhou o banqueiro Daniel Vorcaro a rejeitar proposta de um real do BTG Pactual.

Publicado em 18 de maio de 2026 às 10:26

Lula aconselhou Vorcaro sobre venda do Banco Master por valor simbólico
Lula aconselhou Vorcaro sobre venda do Banco Master por valor simbólico Crédito: Reprodução/Redes sociais

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal e divulgadas pelo portal UOL neste domingo (17) trouxeram à tona os bastidores de um encontro de alta relevância política e econômica. Em dezembro de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aconselhou diretamente o empresário Daniel Vorcaro a não vender o Banco Master para o BTG Pactual. Na ocasião, a instituição enfrentava forte turbulência financeira e o BTG havia oferecido o valor simbólico de apenas 1 real para assumir a operação. Em vez de fechar o negócio, Vorcaro recorreu ao Palácio do Planalto em busca de direcionamento sobre o futuro de sua marca.

A conversa estratégica foi acompanhada de perto por nomes de peso do governo, incluindo os ministros Rui Costa e Alexandre Silveira. Quem também marcou presença na sala foi Gabriel Galípolo, que na época já estava indicado para assumir o comando do Banco Central em janeiro de 2025.

Durante o encontro, Lula teria motivado o empresário a resistir no mercado, justificando que a autoridade monetária do país passaria por uma troca de comando muito em breve, sinalizando o fim do mandato do então presidente do BC, Roberto Campos Neto, a quem o chefe do Executivo teceu duras críticas, estendendo os questionamentos também a André Esteves, controlador do BTG.

Logo após deixar o compromisso oficial, a euforia tomou conta de Vorcaro. Nos registros obtidos pelos investigadores federais, o banqueiro celebrou o resultado da reunião em conversas de texto com sua então namorada, Martha Graeff. Nas mensagens, ele destacou o prestígio recebido no Planalto, enfatizando que o presidente da República havia convocado o futuro chefe do Banco Central e três ministros de Estado apenas para ouvi-lo.

A postura combativa do Banco Master já vinha chamando a atenção do setor financeiro, principalmente pela estratégia ousada de atrair clientes oferecendo títulos de CDB com rendimentos muito acima da média praticada pelo mercado. Nos bastidores de Brasília, Vorcaro usava um discurso que ecoava perfeitamente com os ideais do governo petista, vendendo-se como uma força disposta a quebrar o monopólio e a forte concentração dos grandes bancos no Brasil.

O veto político à venda mudou os rumos do negócio, mas não encerrou a crise. Em março de 2025, após ignorar a oferta do BTG, o Master tentou fechar uma parceria de peso com o Banco de Brasília (BRB), uma transação que acabou sendo vetada tempos depois por determinação técnica do próprio Banco Central.

A reviravolta não parou por aí: novos textos descobertos pela Polícia Federal, datados de abril de 2025, indicam que Vorcaro voltou a conversar em absoluto sigilo com seu então sócio, Augusto Lima, sobre uma nova tentativa de repassar a instituição para as mãos do BTG, exigindo segredo total sobre a nova rodada de negociações.