Lula chamava Cármen Lúcia de ‘falsa humilde’ e Fux de ‘canalha’, diz ex-carcereiro

Relatos são do ex-agente da Polícia Federal Jorge Chastalo Filho, que acompanhou o presidente durante os 580 dias em que ele ficou preso em Curitiba

Publicado em 4 de novembro de 2026 às 18:17

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Crédito: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria feito críticas duras a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) durante o período em que esteve preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Os relatos aparecem no livro Banho de Sol: os 580 dias da prisão de Lula, escrito pelo policial federal Jorge Chastalo Filho, que atuou como carcereiro do petista.

Segundo informações publicadas pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, os principais alvos das críticas eram os ministros Cármen Lúcia, Edson Fachin e Luiz Fux, indicados ao Supremo por Lula e pela ex-presidente Dilma Rousseff.

De acordo com Chastalo, Lula teria chamado Cármen Lúcia de “falsa humilde” e demonstrado arrependimento por tê-la indicado ao STF, em 2006. O relato aponta que o então ex-presidente ficou irritado com decisões da ministra e com o que considerava falta de gratidão pela indicação.

As críticas a Edson Fachin teriam aumentado depois que o ministro retirou de pauta o julgamento de um habeas corpus apresentado pela defesa de Lula, que buscava sua libertação. Já Luiz Fux teria sido alvo de comentários após derrubar a autorização judicial para que a Folha e o jornal espanhol El País entrevistassem o petista na prisão.

O livro também relata que Lula demonstrava respeito por poucos integrantes da Corte, entre eles Gilmar Mendes e Celso de Mello. Outros ministros eram criticados pelo que o então ex-presidente considerava falta de coragem para tomar decisões que pudessem gerar repercussão negativa.

Lula permaneceu preso entre abril de 2018 e novembro de 2019, período de 580 dias. Ele foi solto após o STF mudar o entendimento sobre a possibilidade de prisão antes do trânsito em julgado da condenação.