Lula cobra quebra total de sigilo no caso Master: 'Doa a quem doer'

Presidente afirmou que o Brasil precisa conhecer a verdade sobre as investigações e criticou vazamentos seletivos em meio à crise no Judiciário

Publicado em 9 de setembro de 2026 às 13:33

Presidente afirmou que o Brasil precisa conhecer a verdade sobre as investigações e criticou vazamentos seletivos em meio à crise no Judiciário
Presidente afirmou que o Brasil precisa conhecer a verdade sobre as investigações e criticou vazamentos seletivos em meio à crise no Judiciário Crédito: Reprodução 

Nesta quarta-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou “explicações e medidas imediatas” para a crise que, segundo ele, tomou conta do Poder Judiciário. Em uma publicação nas redes sociais, Lula defendeu a quebra completa do sigilo das investigações relacionadas ao caso Master e afirmou que o Brasil precisa conhecer a verdade sobre todos os envolvidos.

“Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário. Se faz necessário mais transparência, e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral”, afirmou o presidente.

Na sequência, Lula defendeu que os documentos das investigações sejam tornados públicos, independentemente de quem possa ser atingido pelas apurações.

“É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, declarou.

A manifestação ocorre após uma sequência de decisões que aumentou a tensão dentro do Supremo Tribunal Federal (STF). Na terça-feira (8), o ministro André Mendonça determinou o afastamento preventivo, por 90 dias, do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A medida foi posteriormente corroborada pelos ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.

Nesta quarta, porém, o ministro Flávio Dino derrubou o afastamento e determinou a reintegração imediata de Andrei ao comando da Polícia Federal. Dino também afirmou que a controvérsia deve ser analisada pelo plenário do STF. Caberá ao presidente da Corte, Edson Fachin, definir os próximos passos sobre o julgamento do caso.

A crise ganhou força após a divulgação, na semana passada, de mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Desde então, os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes passaram a questionar mutuamente suas atuações em diferentes investigações.

Mendonça determinou a retirada do sigilo de documentos relacionados ao caso Master. O material que veio a público indica que Moraes mantinha conversas com Vorcaro.

Moraes, por sua vez, apontou “fortes indícios” de abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte de Mendonça na condução de processos relacionados às operações Sem Desconto e Compliance Zero, da Polícia Federal. O ministro encaminhou o caso ao presidente do STF, Edson Fachin, dentro do Inquérito das Fake News.

Na terça-feira (8), Mendonça afirmou que relatórios da Polícia Federal utilizados por Moraes apresentavam “superlativa gravidade e ilicitude”. Com base nisso, determinou o afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada.

Segundo a decisão, Andrei teria encaminhado a Moraes ao menos seis relatórios de inteligência produzidos de forma sigilosa entre 3 e 31 de agosto de 2026. O documento também aponta que Mendonça estaria sendo monitorado de forma ilegal por integrantes da área de inteligência policial havia mais de 30 dias.

Nesta quarta-feira (9), ao analisar um recurso apresentado por Andrei, Flávio Dino determinou a reintegração dele e de Leandro Almada aos respectivos cargos na Polícia Federal.