Lula critica medidas dos EUA e promete nova carta a Trump

Presidente afirmou que o Brasil não aceitará o tratamento dado pelos Estados Unidos e voltou a defender o diálogo para evitar conflitos e tensões internacionais.

Publicado em 3 de junho de 2026 às 13:45

Presidente afirmou que o Brasil não aceitará o tratamento dado pelos Estados Unidos e voltou a defender o diálogo para evitar conflitos e tensões internacionais.
Presidente afirmou que o Brasil não aceitará o tratamento dado pelos Estados Unidos e voltou a defender o diálogo para evitar conflitos e tensões internacionais. Crédito: Reprodução 

Nesta quarta-feira (3), durante a segunda reunião ministerial do ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou as recentes ações do governo dos Estados Unidos contra o Brasil, afirmou que o país não pode ser tratado como uma “republiqueta insignificante” e anunciou que pretende enviar uma nova carta ao presidente norte-americano, Donald Trump, para contestar medidas adotadas por Washington e defender a redução dos conflitos internacionais.

Ao abrir o encontro com ministros, Lula destacou a importância do Brasil no cenário internacional e demonstrou insatisfação com o tratamento recebido do governo norte-americano nos últimos dias.

Segundo o presidente, o governo brasileiro manteve uma postura aberta ao diálogo com a Casa Branca. Lula relembrou a reunião que teve com Trump em Washington, em 7 de maio, e afirmou que acreditava estar construindo uma nova fase de relacionamento entre os dois países. Por isso, disse ter sido surpreendido com o anúncio da possibilidade de novas tarifas sobre produtos brasileiros.

Durante o discurso, o chefe do Executivo também criticou, sem citar nomes, a atuação de adversários políticos que, segundo ele, estariam incentivando ações prejudiciais ao Brasil por interesses eleitorais.

Lula ainda fez um apelo aos integrantes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para que atuem pela redução das tensões globais. O presidente afirmou que continuará se manifestando publicamente contra iniciativas que, em sua avaliação, podem ampliar conflitos internacionais.

“Eu ainda vou mandar outra carta ao presidente Trump. Vou escrever quantos artigos for necessário escrever na imprensa americana e na imprensa mundial para mostrar que eles estão errados, equivocados, e que eles estão induzindo o mundo a uma violência desnecessária”, declarou.

A reunião desta quarta-feira foi a primeira realizada após mudanças na equipe ministerial motivadas pela saída de integrantes do governo que disputarão as próximas eleições. Entre os temas debatidos estão o balanço das ações das pastas, o alinhamento político e as estratégias de comunicação do governo.

Nos últimos dias, as relações entre Brasil e Estados Unidos ficaram mais tensas após investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana apontarem a possibilidade de sobretaxas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros. As medidas estão relacionadas a alegações de práticas comerciais consideradas desleais pelo governo dos EUA.

Outro ponto de atrito foi o anúncio da Casa Branca de que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) passarão a ser classificados como organizações terroristas pelos Estados Unidos. A medida deve entrar em vigor nesta sexta-feira (5).

O governo brasileiro contesta as decisões anunciadas por Washington e atribui parte do cenário à atuação política da família do ex-presidente Jair Bolsonaro. As medidas foram divulgadas após um encontro entre o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Donald Trump.

Durante a reunião ministerial, Lula também cobrou agilidade dos ministérios na entrega de programas e ações antes do início do período de restrições eleitorais. O presidente pediu que todas as iniciativas sejam concluídas e avaliadas pela Casa Civil até o início de julho.

“É importante que a gente apronte tudo até o dia 3 de julho”, afirmou.

Nos bastidores do governo, há preocupação com a percepção da população sobre as ações do Planalto e com o ritmo de entregas previsto para os próximos meses. Na última sexta-feira (29), Lula já havia mencionado a proximidade do período de restrições eleitorais e reforçado a necessidade de cumprir os prazos estabelecidos pela legislação.