Lula e Flávio Bolsonaro disputam eleitores que não votaram no primeiro turno

Com 33,4 milhões de ausentes na primeira votação, candidatos tentam ampliar a mobilização para o segundo turno.

Publicado em 11 de outubro de 2026 às 08:02

Lula e Flávio buscam atrair eleitores que se abstiveram no 1º turno -
Lula e Flávio buscam atrair eleitores que se abstiveram no 1º turno - Crédito: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) têm como um dos principais desafios para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 mobilizar os eleitores que não compareceram às urnas na primeira votação, realizada em 4 de outubro. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cerca de 33,4 milhões de brasileiros deixaram de votar, o equivalente a 21,08% do eleitorado apto.

A disputa por esse público ganhou importância na reta final da campanha, já que a ampliação do comparecimento pode influenciar o resultado da votação marcada para 25 de outubro. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%.

Pesquisa aponta dificuldade para mobilizar ausentes

Levantamento do instituto Real Time Big Data, divulgado em 8 de outubro, mostra que convencer os eleitores ausentes a retornar às urnas pode ser uma tarefa difícil. Entre os entrevistados que não votaram no primeiro turno, 40% disseram que certamente não comparecerão à votação decisiva, enquanto outros 38% afirmaram que provavelmente não irão.

Apenas 22% demonstraram alguma possibilidade de votar no segundo turno, considerando os entrevistados que afirmaram que talvez, provavelmente ou certamente comparecerão.

A pesquisa ouviu 1,6 mil pessoas entre os dias 6 e 7 de outubro, com margem de erro de três pontos percentuais. Os números indicam que, embora o grupo de ausentes seja expressivo, sua mobilização não está garantida.

Lula busca ampliar presença em estados estratégicos

A campanha de Lula trabalha para ampliar o diálogo com eleitores que não compareceram às urnas e fortalecer a mobilização para o segundo turno. A estratégia inclui a atuação de lideranças políticas, apoiadores e ações de comunicação voltadas a públicos que podem ser decisivos na votação.

O Nordeste continua sendo uma região importante para o presidente, que teve desempenho expressivo no primeiro turno. No entanto, a campanha também busca ampliar a presença em grandes colégios eleitorais do Sudeste, especialmente São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Na sexta-feira (9), o senador Camilo Santana (PT-CE), integrante da coordenação da campanha petista, afirmou que Lula deve priorizar agendas nesses três estados, que estão entre os maiores eleitorados do país e registraram índices de abstenção superiores à média nacional.

Flávio tenta preservar vantagem

Do lado de Flávio Bolsonaro, o objetivo é manter a vantagem conquistada no primeiro turno e ampliar a votação entre eleitores que não participaram da primeira etapa. A campanha também busca consolidar apoios e atrair pessoas que votaram em candidatos que não avançaram para o segundo turno.

O senador tem enfatizado temas como custo de vida, endividamento das famílias e segurança pública. A estratégia também passa pela mobilização de aliados políticos e apoiadores para ampliar o alcance da candidatura.

Apesar disso, os eleitores ausentes não formam um grupo homogêneo. Entre eles estão pessoas que enfrentaram dificuldades para votar, cidadãos desmotivados e eleitores insatisfeitos com as opções disponíveis. Por isso, o aumento da participação não significa, necessariamente, vantagem automática para um dos candidatos.

Abstenção supera 33 milhões de eleitores

De acordo com dados divulgados pela Agência Brasil com base em informações do TSE, a abstenção no primeiro turno de 2026 foi de 21,08%, percentual superior aos 20,9% registrados no primeiro turno das eleições gerais de 2022. Dos aproximadamente 158,7 milhões de eleitores aptos a votar, cerca de 125,2 milhões compareceram às seções eleitorais.

A ausência na primeira votação não impede o eleitor de participar do segundo turno, desde que esteja apto a votar. Cada turno é considerado uma votação independente para fins de comparecimento.

Com a eleição marcada para 25 de outubro, Lula e Flávio terão de equilibrar duas frentes: manter os eleitores que já os apoiam e convencer uma parcela dos ausentes a comparecer às urnas. O resultado dependerá não apenas da capacidade de mobilização das campanhas, mas também das preferências políticas de quem decidir participar da votação.

Texto por Pedro Moraes.