Mãe de Oruam é considerada foragida da Justiça e rapper se pronuncia

Alvo de ação contra o Comando Vermelho, Márcia Gama é apontada pela polícia como intermediária da facção; rapper afirma que família sofre perseguição política.

Publicado em 11 de março de 2026 às 17:49

Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mãe do rapper Oruam. —
Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mãe do rapper Oruam. — Crédito: Reprodução/Internet

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta quarta-feira (11), a Operação Red Legacy, que investiga a estrutura nacional e os canais de comunicação da facção criminosa Comando Vermelho (CV). Entre os principais alvos que não foram localizados e agora são considerados foragidos está Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mãe do rapper Oruam e esposa de Marcinho VP, uma das lideranças históricas da organização.

De acordo com as investigações da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), Márcia atuaria como um elo de comunicação fundamental, intermediando os interesses de líderes presos com os integrantes que operam nas ruas. Ela seria responsável por facilitar a circulação de informações e articulações estratégicas do grupo criminoso.

Oruam utilizou suas redes sociais para se manifestar em defesa de sua mãe. O artista classificou a operação como uma tentativa de atingi-lo através de sua família e afirmou que o caso possui motivações eleitorais.

"O sistema é nojento", escreveu o rapper em seu perfil no Instagram. "Triste ver eles fazendo política em cima da minha família. Minha mãe sofreu tanto, não merece isso. Para me atingir, estão atacando meu bem mais precioso". Oruam ainda completou pedindo que seus seguidores não acreditem no que chamou de "mentiras" e sugeriu que, por ser ano de eleição, as autoridades seriam "capazes de tudo para ganhar voto".

A situação de Márcia Gama se soma aos problemas que o próprio Oruam enfrenta com o Judiciário. O rapper também é considerado foragido após o descumprimento de medidas cautelares relacionadas ao uso de tornozeleira eletrônica. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), o equipamento registrou falhas de funcionamento em diversas ocasiões, incluindo 21 ocorrências graves apenas em 2026.

A defesa de Márcia Gama, representada pelo advogado Flávio Fernandes, afirmou ter recebido a notícia da ordem de prisão com surpresa. Segundo o advogado, Márcia estava viajando como "pessoa livre" desde segunda-feira (9) e não teria conhecimento da investigação, o que impediria sua classificação como foragida.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Cássio Leal.