Mãe denuncia perseguição e maus-tratos contra filhos em transporte escolar

Crianças estariam sendo obrigadas a viajar no chão e sofrendo ofensas religiosas por parte de monitora.

Publicado em 28 de abril de 2026 às 08:13

Mãe denuncia perseguição e maus-tratos contra filhos em transporte escolar
Mãe denuncia perseguição e maus-tratos contra filhos em transporte escolar Crédito: Reprodução/Instagram/@pamela.vellosa

O que deveria ser um trajeto comum de volta para casa tornou-se um cenário de humilhação e medo para os filhos de Pamela Vellosa. A mãe decidiu quebrar o silêncio e expor uma série de episódios de intolerância religiosa e negligência que seus filhos, alunos da Escola Rafael de Medina, estariam sofrendo dentro do ônibus escolar da empresa Paraty em Araraquara. O estopim foi a descoberta, por parte de uma monitora, de que a família frequenta um terreiro de Umbanda.

Tudo teria começado há cerca de dois meses, durante uma conversa inocente entre Heitor, filho de Pamela, e um colega. Ao revelar que era batizado na Umbanda e que sua avó é mãe de santo, o menino teria sido alvo de ataques verbais imediatos por parte da monitora do veículo. Segundo o relato da mãe, a funcionária afirmou que a religião da criança era "coisa do demônio" e que ele "queimaria no inferno".

A denúncia, porém, vai além das palavras. Pamela afirma que a monitora passou a descontar o preconceito na rotina das crianças. Em diversas ocasiões, os meninos teriam sido retirados de seus assentos para dar lugar a outros alunos, sendo obrigados a sentar no chão ou nos degraus da escada do ônibus, uma prática que coloca a integridade física dos menores em sério risco em caso de acidentes ou freadas bruscas.

"Hoje ele chegou chorando em casa. Mesmo com o ônibus vazio, ela o obrigou a sentar no chão, atrás do banco do irmão. Meus filhos não são animais", desabafou a mãe em suas redes sociais. Pamela, que já costuma falar sobre maternidade real, TDAH e autismo, ressaltou que nunca quis expor a dor da família dessa forma, mas sentiu que o silêncio se tornou insuportável.

Apesar de ter registrado um Boletim de Ocorrência e procurado os responsáveis pela escola e pelo transporte, Pamela descreve um "jogo de empurra" entre as instituições. Segundo ela, ninguém assumiu a responsabilidade ou tomou providências para afastar a monitora ou garantir o respeito no transporte.

Abalada, a mãe reforça que sempre ensinou os filhos a serem educados e a não revidarem agressões, mas que o nível de hostilidade chegou ao limite. "Respeito não tem idade. Não é porque são crianças que podem ser tratadas dessa maneira", afirmou.

O caso agora ganha visibilidade digital e deve ser acompanhado de perto. A intolerância religiosa é crime no Brasil, e a exposição de crianças a situações humilhantes ou perigosas fere diretamente o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A família aguarda um posicionamento oficial da empresa Paraty e da Secretaria de Educação de Araraquara para que o direito constitucional de liberdade de crença e o direito básico de ir e vir com segurança seja restabelecido.